INVESTIGAÇÃO DO PERFIL DE TNF-α E INFγ EM PACIENTES COM INFECÇÃO LATENTE DE TUBERCULOSE (ILTB) EM TRATAMENTO COM IMUNOMODULADORES
tuberculose, doenças autoimunes, TNF-α, INF-γ
A tuberculose (TB) representa um desafio de saúde pública, com a infecção
latente de tuberculose (ILTB), particularmente entre indivíduos com comprometimento
imunológico. O avanço e o uso de fármacos imunomoduladores e imunobiológicos no
manejo de doenças autoimunes elevam o risco de ativação da ILTB e piora da
qualidade de vida desses pacientes. O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência
de ILTB em pacientes com doenças autoimunes em tratamento com essas terapias e
quantificar a expressão gênica das citocinas interferon-gama (IFN-γ) e fator de
necrose tumoral alfa (TNF-α). Este foi um estudo transversal e analítico. Foram
recrutados 118 pacientes do Hospital Universitário de Brasília (HUB). A população de
estudo incluiu pacientes com doenças autoimunes sob terapia imunossupressora.
Foram coletados amostras de sangue venoso para a quantificação da expressão
gênica de TNF-α e IFN-γ por qRT-PCR. Dos 118 pacientes incluídos, 64 (54,2%)
apresentavam ILTB. As doenças autoimunes mais prevalentes foram psoríase vulgar
(42 pacientes), artrite reumatoide (33 pacientes) e artrite psoriásica (21 pacientes).
Comorbidades como etilismo (9 pacientes com ILTB) e tabagismo (8 pacientes com
ILTB) também foram identificadas. Os imunobiológicos mais utilizados incluíram
adalimumabe, rituximabe, secuquinumabe, tofacitinibe, infliximabe e
ustecuquinumabe. Na análise da expressão gênica das citocinas, realizada em uma
amostra de 28 pacientes (19 com ILTB, 9 sem ILTB), a mediana da expressão de
TNF-α em pacientes com ILTB foi de 1.851.479,0 e de 621.707,0 em pacientes sem
ILTB. Para IFN-γ, as medianas foram 3.570.853,0 (ILTB) e 3.748.855,0 (sem ILTB).
Ambas não apresentaram diferença significativa (p=0,1566 e p=0,5959). Analisando
em detalhes, pacientes com ILTB e hidradenite supurativa, artrite reumatoide ou
pênfigo foliáceo exibiram maior expressão de TNF-α; enquanto aqueles com ILTB e
artrite psoriásica ou psoríase vulgar apresentaram maior expressão de IFN-γ.
Comorbidades como tabagismo e etilismo também influenciaram os perfis de
citocinas. Em conclusão, a elevada prevalência de ILTB em pacientes
imunossuprimidos tratados com imunobiológicos ressalta a urgência de vigilância
contínua e a implementação de protocolos de profilaxia adaptados. As tendências
observadas na expressão de TNF-α e IFN-γ, sugerem uma resposta imune ativa que
é modulada tanto pela doença autoimune subjacente quanto por fatores de risco como
tabagismo e etilismo. Este estudo evidencia a complexidade da interação entre
imunossupressão, ILTB e a resposta imune do hospedeiro, enfatizando a
necessidade de uma abordagem multidisciplinar para o tratamento das doenças
autoimunes e minimizar o risco de ativação da tuberculose.