VIGILÂNCIA GENÔMICA DA COINFECÇÃO TB-COVID-19 NO DISTRITO FEDERAL E TRANSPORTE DE AMOSTRAS POR VEÍCULOS AÉREOS NÃO-TRIPULADOS
tuberculose; COVID-19; coinfecção; sequenciamento genômico total; veículos aéreos não tripulados; inovação tecnológica.
conhecimento a serem preenchidas. O período pandêmico foi difícil e complexo, mas deixou um legado importante em relação à rápida expansão do uso de diversas tecnologias já existentes, dentre as quais destacam-se o sequenciamento genômico total (SGT) e os veículos aéreos não-tripulados (VANT) para o transporte de amostras, materiais e insumos em saúde. Objetivo: Investigar aspectos clínicos, epidemiológicos e genômicos da coinfecção TB-COVID-19 no Distrito Federal, avaliando adicionalmente a viabilidade de usar VANT para transportar amostras laboratoriais de TB e COVID-19. Materiais e métodos: De 2021 a 2023, casos de TB confirmados pelo Laboratório Central do Distrito Federal (LACEN-DF), com amostras cultivadas e armazenadas, foram investigadas para a coinfecção por COVID-19. Os confirmados para coinfecção passaram por investigação clínico-epidemiológica, por meio de diversos sistemas de informação, e seus isolados de Mycobacterium tuberculosis (MTB) passaram por SGT. Os dados epidemiológicos e genômicos foram analisados conjuntamente no intuito de realizar vigilância genômica. Além disso, foi realizada uma revisão de escopo para avaliar a viabilidade de transportar amostras biológicas das duas doenças por meio de VANT. Resultados: De 357 casos de TB, 30 tiveram coinfecção TB-COVID-19 confirmada, sendo selecionados para o estudo. O perfil epidemiológico deles parece representativo da população fonte, mas com maior vulnerabilidade social e gravidade. Cinco casos não foram notificados no SINAN. A prevalência de coinfecção encontrada foi de 8,4% e a letalidade de 20,0% a 23,3%. A maior parte dos casos teve COVID-19 antes da TB e, nesses casos, 56,5% desenvolveram TB ativa em até um ano. O SGT pôde ser realizado com sucesso em 25 dos 30 casos, detectando mutações relacionadas a resistências em 44,0% dos casos, o que representou um incremento de 28,0% em relação aos métodos de teste de sensibilidade antimicrobiana genotípico e fenotípico aplicados na rotina. Todos os casos eram da Linhagem 4 de MTB e não foram identificados clusters genômicos ou evidências de transmissão recente, o que corrobora a hipótese de reativação endógena da TB após a COVID-19. Conclusão: A vigilância genômica do MTB pode contribuir para análises mais precisas em saúde pública no DF, mas é preciso maior integração entre vigilância, assistência e territórios. O transporte por VANT também é possível de ser implementado no SUS nos próximos anos.