Vigilância molecular do HPV no Brasil: prevalência e variabilidade genética dos genótipos de alto risco 31, 33, 35, 52 e 58
Papilomavírus Humano; Alpha-9; Prevalência; Variabilidade Genética; Filogenia
O câncer do colo do útero (CCU) permanece um importante problema de saúde pública, especialmente em países de média e baixa renda, estando associado à infecção persistente por genótipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). Embora os genótipos 16 e 18 sejam os mais estudados, outros tipos pertencentes à espécie Alphapapillomavirus 9, como os HPVs 31, 33, 35, 52 e 58, também apresentam relevante potencial oncogênico e contribuem significativamente para a carga da doença, particularmente em regiões da América Latina. A literatura nacional ainda apresenta lacunas importantes quanto à prevalência, distribuição e variabilidade genética desses genótipos, bem como sua circulação em diferentes contextos epidemiológicos. Diante disso, este estudo tem como objetivo caracterizar a prevalência e a variabilidade genética dos genótipos de HPV de alto risco da espécie Alpha-9 no Brasil, integrando dados da literatura, estimativas regionais de prevalência, a identificação de variantes circulantes e a análise em população subassistida. Para isso, o trabalho está estruturado em quatro abordagens complementares: (i) uma revisão de escopo para mapear a distribuição dos genótipos 31, 33, 35, 52 e 58 na literatura nacional; (ii) uma metanálise para estimar a prevalência desses tipos em lesões cervicais nas diferentes regiões do país; (iii) a caracterização molecular de variantes virais por meio do sequenciamento da região L1 e análise filogenética; e (iv) um estudo transversal em mulheres quilombolas, com foco na prevalência de HPV de alto risco e sua associação com lesões cervicais. Até o momento, foram obtidos resultados referentes à revisão de escopo e à caracterização molecular, os quais evidenciam a presença desses genótipos em diferentes regiões do Brasil. A revisão de escopo permitiu sintetizar as evidências disponíveis sobre a prevalência dos genótipos de HPV 31, 33, 35, 52 e 58 em mulheres brasileiras, destacando sua ampla circulação e variação entre populações e regiões, o que reforça sua relevância para estratégias de prevenção do câncer do colo do útero, especialmente em populações vulneráveis. Em relação à caracterização molecular, embora o gene L1 seja considerado uma região conservada do genoma do HPV, foram identificadas variações nucleotídicas sinônimas e não sinônimas entre as sequências analisadas, incluindo mutações ainda não descritas na literatura. Destaca-se, para o HPV 33, a variação não sinônima D459N, até o momento não reportada na literatura e, para o HPV 52, a ocorrência de uma combinação de mutações sinônimas previamente descritas apenas de forma isolada, e o que ainda requer análises adicionais para confirmação. Esses achados evidenciam a presença de diversidade genética entre os isolados analisados, incluindo a circulação de diferentes linhagens e sublinhagens no Brasil. Espera-se que os resultados contribuam para o avanço do conhecimento sobre os HPVs da espécie Alpha-9 no país, especialmente quanto à sua distribuição e presença em populações vulneráveis.