ALTERAÇÕES PERSISTENTES NA ARQUITETURA MUSCULAR E NA TRANSMISSÃO DE FORÇA MÚSCULOTENDÃO EM CASOS DE COVID-19 PROLONGADA: UM ESTUDO LONGITUDINAL DE DOIS ANOS
Sequelas pós-COVID; funcionalidade; unidade músculo-tendão; biomecânica do tendão; ultrassonografia.
Introdução: Este estudo investigou os efeitos longitudinais da COVID-19 prolongada ao longo de um período de 24 meses sobre (A) a arquitetura muscular e as propriedades do tendonaponeurosis complex (TAC) do vasto lateral (VL) e do reto femoral (RF), (B) as relações entre o torque extensor do joelho e os parâmetros estruturais e mecânicos (rigidez do TAC, comprimento do fascículo e ângulo de penação) e (C) as propriedades morfológicas, materiais e mecânicas do tendão patelar em comparação com controles. Materiais e métodos: Quarenta e um participantes foram alocados em dois grupos: COVID-19 prolongada (n = 21) e controle (n = 20). O grupo COVID-19 prolongada foi avaliado em três momentos ao longo de 24 meses. Contrações isométricas voluntárias máximas (CIVM) de extensão do joelho foram realizadas utilizando um dinamômetro isométrico, sincronizadas com imagens de ultrassom do tendão patelar e dos músculos VL e RF. As propriedades mecânicas (stress, strain, rigidez) e materiais do tendão foram derivadas de medidas de alongamento, enquanto as propriedades morfológicas (comprimento e área da seção transversal) foram medidas em repouso. O comprimento fascícular (CF) e o ângulo de penação (AP) foram medidos em repouso e durante a contração, juntamente com o deslocamento do tendão de Aquiles. Modelos de equações de estimativa generalizadas foram usados para examinar os efeitos de “grupo” e “tempo”. Resultados: a força (p=0,019), o deslocamento (p=0.002), stress (p=0.003) e o strain (p=0.025) foram menores no grupo com COVID prolongada em comparação com os controles. Interações significativas entre grupo e avaliação foram observadas para o comprimento do fascículo do RF (p = 0,001) e para o ângulo de penação nos músculos RF e VL (p = 0,002). Nas propriedades mecânicas, observou-se interação significativa entre grupo e avaliação para o torque do RF (p = 0,000), do VL (p = 0,007) e rigidez muscular (p = 0,005). Para o CF, observou-se interação significativa entre grupo e avaliação para o RF em repouso (p = 0,001) e contração máxima (p = 0,005). Para AP, observou-se interação significativa entre grupo e avaliação para o RF em repouso (p = 0,002) e durante a contração máxima (p = 0,002). Para o VL, observou-se interação significativa entre grupo e avaliação em repouso (p = 0,002) e durante a contração máxima (p = 0,036). Conclusão: A COVID-19 prolongada está associada a alterações persistentes na arquitetura muscular e comprometimento da transmissão de força músculo-tendão ao longo de um período de 24 meses, indicando disfunção neuromuscular e mecânica sustentada além do simples descondicionamento.