Adaptações Mecânicas Precoces do Tendão de Aquiles após Entorse Lateral Aguda do Tornozelo: Um Estudo Longitudinal de Seis Semanas
Rigidez do tendão; Ultrassonografia; Módulo de Young; Reabilitação.
RESUMO Introdução: A entorse lateral aguda do tornozelo (ELAT) é altamente prevalente e comumente tratada com foco principal na lesão ligamentar. No entanto, evidências emergentes sugerem que o tendão de Aquiles também pode sofrer adaptações precoces após a ELAT. Compreender essas alterações pode aprimorar as estratégias de reabilitação e ajudar a prevenir entorses recorrentes e instabilidade crônica do tornozelo. Objetivo: Investigar as propriedades mecânicas e morfológicas do tendão de Aquiles em até 72 horas e após seis semanas em indivíduos com ELAT aguda (graus I–II), comparando-os com controles saudáveis pareados. Métodos: Neste estudo observacional longitudinal, 16 participantes com ELAT aguda e 17 controles foram submetidos a duas avaliações com intervalo de seis semanas. O comprimento e a área de secção transversal (AST) do tendão de Aquiles foram medidos por ultrassom, enquanto a força, deformação, rigidez, tensão, deformação específica (strain) e módulo de Young do tendão foram obtidos por meio de dinamometria isométrica sincronizada e rastreamento da junção miotendínea durante a flexão plantar isométrica voluntária máxima. Desfechos funcionais (FAOS, LEFS), dor e edema também foram avaliados. Resultados: Foram observadas interações significativas entre grupo e tempo para a rigidez do tendão e o módulo de Young. Na avaliação inicial, o grupo ELAT apresentou menor rigidez e módulo de Young do que os controles; essas diferenças deixaram de ser significativas após seis semanas devido a aumentos observados no grupo ELAT, enquanto os controles permaneceram estáveis. A AST do tendão diminuiu ao longo do tempo no grupo ELAT, sem diferenças entre os grupos quanto à AST ou ao comprimento do tendão. Conclusão: A ELAT aguda induz reduções transitórias na rigidez e no módulo de Young do tendão de Aquiles, acompanhadas por uma diminuição da AST, mas sem alteração no comprimento do tendão.