Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIELLA DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : GABRIELLA DOS SANTOS
DATA : 04/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: On line - Google meet
TÍTULO:

Distância geográfica, condições socioeconômicas e acesso à reabilitação em pessoas com paralisia cerebral no Brasil: análise preliminar a partir do Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral (RB-PC)


PALAVRAS-CHAVES:

Palavras-chave: paralisia cerebral; acesso aos serviços de saúde; reabilitação; distância geográfica; condições socioeconômicas; Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral.


PÁGINAS: 42
RESUMO:

A paralisia cerebral (PC) é a causa mais comum de deficiência física grave na infância, com prevalência estimada de 2,1 por 1.000 nascidos vivos. No Brasil, o acesso à reabilitação ocorre em contexto de profundas desigualdades sociais, econômicas e regionais, sendo a distância geográfica e as condições socioeconômicas das famílias apontadas como potenciais barreiras ao cuidado especializado. Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre distância geográfica ao centro de reabilitação, condições socioeconômicas e padrão de acesso à reabilitação em pessoas com PC no Brasil, utilizando dados do Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral (RB-PC). Trata-se de um estudo transversal e analítico, com amostra de 148 participantes com diagnóstico confirmado de PC. A distância rodoviária entre residência e centro de reabilitação foi calculada via Google Maps API (Directions API) e categorizada em quartis empíricos. Os desfechos investigados foram a frequência semanal de reabilitação, o acesso atual ao serviço e o tipo de serviço utilizado (público vs. privado). As análises incluíram regressão linear múltipla com erros robustos HC3, regressão quantílica na mediana e regressão logística múltipla, além de análises de sensibilidade estratificadas por renda e nível funcional. A amostra foi predominantemente composta por crianças (mediana de idade: 7,0 anos), com PC espástica (90,6%) e comprometimento motor grave, sendo 56,9% classificados nos níveis IV–V do GMFCS. A mediana de distância ao centro de reabilitação foi de 11,0 km e a de horas semanais de reabilitação foi de 2,0 horas. Embora a proporção de acesso tenha diferido significativamente entre quartis de distância (χ² = 12,686; p = 0,005), com menor cobertura no grupo mais distante (Q4 > 17,8 km: 83,8%), a distância não se confirmou como preditor independente do acesso nem da frequência de reabilitação na análise multivariada. O principal preditor das horas semanais de reabilitação foi a posse de plano de saúde privado (+1,9 h/semana; p = 0,008), e o tipo de serviço utilizado foi determinado pela renda familiar e pelo nível de comprometimento motor. A idade associou-se negativamente ao acesso à reabilitação (OR = 0,773; p = 0,005), evidenciando fragilidade na continuidade do cuidado ao longo da vida. As análises de sensibilidade revelaram que a barreira geográfica exerceu efeito significativo sobre as horas de reabilitação em famílias de baixa renda (β = −0,009; p = 0,047) e em indivíduos com comprometimento funcional leve a moderado (GMFCS I–III; β = −0,014; p < 0,001), indicando que distância e condição socioeconômica atuam de forma conjunta como determinantes do cuidado. Conclui-se que os determinantes do acesso à reabilitação em pessoas com PC no Brasil são predominantemente econômicos, e que a barreira geográfica, embora não independente, potencializa desigualdades em populações mais vulneráveis. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas que ampliem a oferta de serviços especializados, reduzam desigualdades sociais e territoriais e garantam a continuidade do cuidado reabilitador ao longo do ciclo de vida de pessoas com paralisia cerebral no Brasil.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - AYRLES SILVA GONÇALVES BARBOSA MENDONÇA - UFAM
Presidente - 1552214 - ALINE MARTINS DE TOLEDO
Interno - 1947805 - JOSEVAN CERQUEIRA LEAL
Externa à Instituição - KENNEA MARTINS ALMEIDA AYUPE - UFES
Notícia cadastrada em: 20/08/2026 14:15
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