DISTÂNCIA INTERMUNICIPAL ESTIMADA PARA INTERNAÇÃO NEONATAL E SUA ASSOCIAÇÃO COM MORTALIDADE, PERMANÊNCIA HOSPITALAR, UTILIZAÇÃO DE UTI E VALOR APROVADO DAS INTERNAÇÕES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO
recém-nascido; internação hospitalar; Condiçãoes de saúde; Sistema Único de Saúde; deslocamento geográfico; distância; custos hospitalares; assistência neonatal.
Introdução: O acesso oportuno à assistência neonatal especializada é um dos principais determinantes dos desfechos clínicos de recémnascidos. Entretanto, a distribuição desigual dos serviços de saúde no território brasileiro faz com que muitos pacientes necessitem de deslocamento intermunicipal para internação, podendo influenciar a utilização de recursos hospitalares e os desfechos assistenciais. Objetivo: Avaliar a associação entre a distância percorrida pelos recém-nascidos para internação hospitalar intermunicipal e os desfechos assistenciais e econômicos das internações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, com dados secundários provenientes das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram incluídas internações de recémnascidos que ocorreram em município diferente do município de residência. A distância (km) e o tempo de deslocamento (min) entre origem e destino foram obtidos por meio da Distance Matrix API da Google Cloud Platform. As análises compreenderam estatística descritiva da população, caracterização regional das internações, identificação dos principais diagnósticos (CID-10), utilização de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tempo de permanência, custos hospitalares e análises de associação entre a distância percorrida e os desfechos de interesse. O processamento e as análises dos dados foram realizados no software R. Resultados preliminares: Foram identificadas 1.024.993 internações intermunicipais de recémnascidos no SUS. A Região Nordeste concentrou o maior número de internações, enquanto as maiores distâncias e tempos medianos de deslocamento foram observados na Região Norte. Predominaram internações em caráter de urgência e recém-nascidos do sexo masculino. Aproximadamente um terço das internações necessitou de cuidados em UTI. Os diagnósticos mais frequentes corresponderam às condições relacionadas à prematuridade, transtornos respiratórios e afecções do período perinatal. Os procedimentos relacionados aos transtornos respiratórios e cardiovasculares específicos do período neonatal concentraram os maiores custos hospitalares. Conclusão: Os resultados preliminares evidenciam importante fluxo intermunicipal para assistência neonatal no Brasil e demonstram diferenças regionais quanto ao deslocamento, utilização de recursos hospitalares e custos das internações. As análises em andamento permitirão verificar se maiores distâncias percorridas estão associadas a piores desfechos clínicos e econômicos, contribuindo para o planejamento da rede de atenção neonatal e para o fortalecimento das políticas públicas de regionalização da assistência.