Banca de DEFESA: ROSANGELA MARTINES ECHEVERRIA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROSANGELA MARTINES ECHEVERRIA
DATA : 02/06/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório 01 da FS_
TÍTULO:

Uso Sustentável da Biodiversidade do Cerrado: Estudo Químico Biomonitorado de Espécies Nativas para o Controle do Diabetes


PALAVRAS-CHAVES:

diabetes ; biodiversidade; α- glicosidase; α-amilase: Cerrado


PÁGINAS: 100
RESUMO:

“O Cerrado, segundo maior bioma Brasileiro, ocupa cerca de 22% do território nacional e é reconhecido como um hotspot global de biodiversidade, abrigando mais de 11 mil espécies de plantas nativas. Apesar de sua elevada riqueza biológica, mais de 40% de sua vegetação nativa já foi impactada por atividades antrópicas, principalmente pelo desmatamento e pelas queimadas, o que ameaça a conservação de espécies com potenciais aplicações bioeconômicas sustentáveis, entre elas as farmacológicas. Nesse contexto, as plantas medicinais do Cerrado representam uma importante fonte de metabólitos bioativos ainda pouco explorados cientificamente. Entre as doenças que podem se beneficiar da prospecção de compostos naturais destaca-se o diabetes mellitus, uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia persistente e que afeta aproximadamente 537 milhões de adultos no mundo, com projeções de aumento para 643 milhões até 2030. Assim, a investigação de espécies vegetais do Cerrado com potencial para modular enzimas envolvidas no metabolismo da glicose constitui uma estratégia promissora para a descoberta de novos agentes terapêuticos. Nesse sentido, este estudo avaliou, por triagem, o potencial químico e biológico do extrato etanólico de dez espécies do Cerrado (Lepidaploa aurea, Psidium laruotteanum, Trema micrantha, Styrax ferrugineus, Lobelia brasiliensis,Cordiera sessilis, Aegiphila verticillata, Erythroxylum tortuosum, Croton urucurana e Pterodon pubescens), por meio de ensaios in vitro de inibição das enzimas α-amilase e α-glicosidase. A espécie E. tortuosum foi selecionada como a planta promissora para avaliação enzimática bioguiada na enzima α-glicosidase, associada à avaliação da atividade antioxidante e citotóxica. Visando à identificação de metabólitos com potencial aplicação no controle do diabetes, foram realizadas análises fitoquímicas por meio de cromatografia em coluna (CC), cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE), cromatografia Gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM), cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (CL-EM) e ressonância magnética nuclear (RMN). Os resultados obtidos indicaram que os extratos apresentaram melhor atividade inibitória sobre a enzima α-glicosidase, destacando-se as espécies P. laruotteanum (IC50, EAP= 6,94 μg/mL e EEP=5,07 μg/mL), E. tortuosum (IC50, EEtaq= 11,91 μg/mL e EEt= 21,60 μg/mL), S. ferrugineus (folhas) (IC50, EASfl= 22,60 μg/mL), L. brasiliensis (folhas) (IC50, EAL= 37,47 μg/mL) e T. micranthum (IC50, EAT= 41,55 μg/mL). A elucidação fitoquímica das 10 espécies nativas indicou majoritariamente a presença de polifenois (70%), incluindo flavonoides, ácidos fenólicos, taninos e lignanas, seguido por terpenos (12%), alcaloides (11%), saponinas (3%) e cumarinas (2%). E a espécie selecionada para estudo bioguiado, E. tortuosum, a subfração (EtE3F4yD), com melhor resultado de inibição enzimática (IC₅₀ = 2,66 μg/mL), apresentou as seguintes substâncias: epicatequina, catequina (nível 1), ácido cafeico (nível 2), proantocianidina A2, procianidina B3 e C1 e ácido oleanólico (nível 3). Adicionalmente, no extrato bruto (EtE) foi identificado rutina e ombuim-3-O-rutinosídeo por RMN e verificado atividade antioxidante relevante no ensaio de DPPH (IC₅₀ = 98,51 μg/mL). Além das atividades biológicas avaliadas, a citotoxicidade do extrato também foi investigada. Os resultados indicaram que o extrato EtE apresentou citotoxicidade moderada na linhagem celular L929 (IC₅₀ = 66,51 μg/mL), enquanto não foi observada citotoxicidade hepática in vitro na linhagem HepG2, sugerindo um perfil preliminar de segurança favorável. Em adição, na avaliação do extrato hexânico das folhas de E. tortuosum, por meio de CG-MS, foram anotados os seguintes compostos: terpenos (triterpenos e tocofenóis), esteroides, polifenóis (flavonoides, ácidos fenólicos e taninos). Portanto, a espécie selecionada com mais promissora, E. tortuosum, apresentou atividade inibitória sobre α-glicosidase e, embora não tenham sido elucidados novos compostos químicos, foram identificados metabólitos já conhecidos por sua atividade inibitória enzimática. Por fim, de modo geral, os resultados obtidos neste estudo ampliam o conhecimento acerca da composição química e do potencial farmacológico de dez espécies do bioma Cerrado, evidenciando, por meio de ensaios in vitro, sua capacidade de interferir na atividade de enzimas relacionadas ao controle do diabetes. Esses achados reforçam a importância da biodiversidade do Cerrado como fonte estratégica de metabólitos bioativos com potencial aplicação terapêutica, destacando a relevância da investigação científica desse bioma para a descoberta de novas substâncias de interesse farmacológico."


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2328475 - DAMARIS SILVEIRA
Externo à Instituição - EDSON OLIVEIRA PEREIRA - UFCAT
Externo ao Programa - ***.424.651-** - FLORIANO PASTORE JUNIOR - UnB
Externo à Instituição - JOAO VICTOR DUTRA GOMES - UCB
Externo ao Programa - 1213894 - LUCAS JUNQUEIRA DE FREITAS MOREL - null
Notícia cadastrada em: 22/05/2026 10:57
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