EPIDEMIOLOGIA DO HIV E DA AIDS NO TOCANTINS NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19: TENDÊNCIAS TEMPORAIS, DIAGNÓSTICO TARDIO, PREVENÇÃO COMBINADA E DESIGUALDADES TERRITORIAIS
“HIV; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; COVID-19; Estudos de Séries Temporais; Análise Espacial; Epidemiologia; Notificação de Doenças”
Introdução: A infecção pelo HIV e a aids são graves problemas de saúde pública, tensionados pela pandemia de COVID-19, que desorganizou a rede de atenção, gerando potenciais efeitos acentuados em territórios vulnerabilizados. Objetivo: Analisar a dinâmica epidemiológica do HIV e da aids no estado do Tocantins no contexto da pandemia de COVID-19, considerando tendências temporais, diagnóstico tardio, prevenção combinada, distribuição espacial e desigualdades territoriais. Método: Estudo ecológico e de revisão sistemática de documentos oficiais (Joanna Briggs Institute). Utilizaram-se dados secundários do DATASUS, SIM e IBGE (2015–2025). Foram calculadas taxas anuais por 100.000 habitantes e aplicadas regressões de Prais-Winsten, séries temporais interrompidas (marco em 2020) e análise espacial (índices de Moran global e local). Resultados: Foram registrados 1.854 casos de HIV, 2.026 de aids e 511 óbitos por aids no Tocantins (2015–2023), com tendência geral estacionária por Prais-Winsten. Contudo, as séries interrompidas revelaram aumento na tendência de detecção de aids pós-2020. Quanto à prevenção combinada (2018–2025), o uso de PrEP saltou de 15 para 430 pessoas, com tendência crescente generalizada, superando a taxa de dispensações de PEP, que permaneceu estável. A análise espacial (2018–2023) revelou maior incidência de aids nas regiões norte e central, associada positivamente a melhores indicadores socioeconômicos e assistenciais (urbanização, IDH, densidade médica), sugerindo subdiagnóstico em áreas vulneráveis. Dos 1.848 casos de HIV avaliados (2018–2023), o diagnóstico tardio variou de 43% a 54%, com tendência crescente significativa, especialmente entre maiores de 40 anos, menor escolaridade, pardos e mulheres. O tempo para início da terapia antirretroviral aumentou para o intervalo de 8 a 30 dias após a pandemia. A revisão sistemática (2020–2024) identificou ações ministeriais emergenciais de continuidade assistencial no início da pandemia, seguidas por mudanças estruturantes nos anos posteriores, incluindo a expansão da PrEP, telemedicina e simplificação terapêutica. Conclusão: A epidemia no Tocantins é caracterizada por desigualdades de acesso, expansão do diagnóstico tardio e aumento na tendência de detecção de aids pós-pandemia. Embora aPrEP evidencie avanços, a concentração espacial e as barreiras de acesso persistem. Os achados reforçam a necessidade de estratégias intersetoriais e territorializadas sob a perspectiva da equidade.