Investigação da modulação dopaminérgica pelo Peptídeo bioinspirado NeuroVAL por ensaio de radioligação (binding) em preparação sinaptossomal
“dopamina; receptores dopaminérgicos; modulação dopaminérgica; radioligação; peptídeos bioinspirados”
“As peçonhas de animais são fontes de diferentes moléculas bioativas que podem apresentar interesse farmacológico. Entre essas moléculas estão os mastoparanos, peptídeos encontrados em peçonhas de vespas que apresentam diferentes atividades biológicas e podem atuar sobre componentes envolvidos na sinalização celular, incluindo proteínas G. O NeuroVAL é um peptídeo bioinspirado desenvolvido a partir de modificações na sequência do mastoparano Agelaia-MPI. Estudos anteriores mostraram que o peptídeo manteve atividade antinociceptiva e apresentou redução de alguns efeitos indesejáveis observados para o peptídeo de origem. Também foram observados efeitos do NeuroVAL em modelos animais com sinais de Transtorno do Espectro Autista (TEA), porém os mecanismos neuroquímicos envolvidos em sua ação ainda não estão completamente esclarecidos. Entre os sistemas que podem estar relacionados a esses efeitos está o sistema dopaminérgico, que participa de funções como motivação, recompensa, interação social, cognição e controle motor e está envolvido em diferentes doenças neurológicas, transtornos psiquiátricos e do neurodesenvolvimento. Assim, este estudo investiga a participação do sistema dopaminérgico no mecanismo de ação do NeuroVAL e avalia seu efeito sobre a ligação de ³H-dopamina em preparações sinaptossomais de córtex de camundongos. As preparações sinaptossomais são obtidas por centrifugação diferencial e gradiente descontínuo de sacarose, e a concentração de proteínas é determinada pelo método de Lowry. Os ensaios de radioligação são realizados utilizando ³H-dopamina, com uma competição homóloga com dopamina não marcada e um ensaio com diferentes concentrações de NeuroVAL. Os resultados mostram diferença significativa entre a ligação total e a ligação inespecífica da ³H-dopamina (p < 0,0001), indicando a presença de uma fração de ligação deslocável pela dopamina não marcada. Na competição homóloga, o aumento da concentração de dopamina reduz a ligação da ³H-dopamina. Já na presença de NeuroVAL, ocorre um comportamento diferente, com aumento da ligação do radioligante, principalmente nas maiores concentrações avaliadas. Esse perfil não é compatível com uma competição ortostérica simples e apresenta características de uma possível modulação alostérica positiva, já que o NeuroVAL não desloca a ³H-dopamina e, ao contrário, aumenta sua ligação. Esse efeito pode estar relacionado a alterações na conformação ou no estado de afinidade dos receptores, favorecendo a interação da dopamina com seus sítios de ligação. A possibilidade de uma modulação alostérica é importante porque esse tipo de mecanismo pode aumentar a ação do neurotransmissor endógeno sem substituí-lo diretamente, mantendo maior dependência da sinalização fisiológica e podendo apresentar maior seletividade entre subtipos receptoriais. Apesar disso, ainda são necessários estudos para confirmar esse mecanismo e identificar os receptores envolvidos. Os resultados obtidos ajudam a ampliar a compreensão sobre o mecanismo de ação do NeuroVAL e sua relação com o sistema dopaminérgico, além de abrir novas possibilidades para o estudo do peptídeo em condições associadas a alterações dessa neurotransmissão, incluindo doenças neurológicas, transtornos psiquiátricos e transtornos do neurodesenvolvimento, como o TEA.