Estresse, Memória e Funções Executivas.
estresse; memória; funções executivas; Prática de Lembrar; organização semântica; flexibilidade cognitiva; neurocognição.
Pesquisas indicam que a Prática de Lembrar melhora a retenção de memória a longo prazo, enquanto o estresse agudo pode prejudicar esse desempenho ao afetar o funcionamento do hipocampo e do córtex pré-frontal. Esta tese investiga a interseção entre esses domínios: se a Prática de Lembrar pode mitigar os efeitos deletérios do estresse sobre a memória.
O Capítulo 1 apresenta o arcabouço teórico, propondo a organização semântica como uma dimensão central para a estabilidade da memória sob estresse. O capítulo também estabelece a ponte translacional da tese, conectando estudos de laboratório à adoção de estratégias em contextos educacionais.
O Capítulo 2 realiza uma replicação metodológica para testar se o benefício da Prática de Lembrar sob estresse depende da dificuldade dos itens. A vantagem esperada para itens difíceis não foi replicada. Esse achado nulo foi essencial para redirecionar o foco do projeto: da quantidade de itens recordados para a organização estrutural da memória.
O Capítulo 3, principal contribuição experimental da tese, avaliou se a Prática de Lembrar sustenta a organização semântica sob estresse agudo (induzido pelo TSST-G). Os resultados mostraram que a estratégia aumentou a organização semântica (avaliada pelo índice ARC), e essa vantagem permaneceu estável mesmo sob estresse. Isso evidencia que a Prática de Lembrar preserva a estrutura de recuperação da memória, não apenas a quantidade evocada.
O Capítulo 4 transpõe a pesquisa para o contexto ecológico de escolas públicas do Distrito Federal. Questionários com alunos e professores revelaram uma predominância de estratégias passivas (reler e grifar). Embora houvesse um reconhecimento metacognitivo parcial do valor da evocação, isso não se convertia em uso real ou recomendação sistemática. O capítulo identifica uma "dissonância instrucional" entre a evidência cognitiva e a prática educacional.
Em conjunto, a tese progride da teoria e experimentação controlada para a aplicação ecológica. Ela conecta a investigação laboratorial de uma memória resiliente ao estresse ao desafio educacional de converter evidências da ciência cognitiva em rotinas duráveis de aprendizagem autorregulada.