DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DA ESTABILIDADE DE FORMULAÇÕES LÍQUIDAS ORAIS DE ISONIAZIDA PARA TRATAMENTO DA TUBERCULOSE PEDIÁTRICA
Isoniazida. Formulação pediátrica. Tuberculose infantil. Formulação extemporâneas. Estabilidade
Introdução: A isoniazida (INH) é um dos principais fármacos utilizados no tratamento e na prevenção da tuberculose. No Brasil, encontra-se disponível apenas em comprimidos de 100 mg e 300 mg, apresentações inadequadas para crianças menores de 10 anos, que necessitam de doses ajustadas ao peso corporal e apresentam dificuldade de deglutição. Objetivo: Este estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar a estabilidade de formulações líquidas orais de INH como alternativa viável para uso pediátrico, diante da ausência de produto comercial disponível. Métodos: As formulações foram preparadas a partir do insumo farmacêutico ativo (IFA) e de comprimidos comerciais, utilizando veículo aquoso contendo glicerina (20%), carboximetilcelulose (0,1%), sorbato de potássio (0,14%) e pH ajustado entre 4,5 e 5,0. Avaliaram-se características organolépticas, pH e teor do fármaco ao longo de 90 dias em diferentes condições de temperatura. Desenvolveu-se e validou-se método analítico por CLAE para quantificação de INH, contemplando seletividade, linearidade, precisão, exatidão e limites de detecção e quantificação. Resultados: As formulações preparadas com o IFA mantiveram teor entre 90–110% por 90 dias sob refrigeração e em temperatura ambiente. As preparações obtidas a partir de comprimidos apresentaram elevada dispersão analítica e falta de homogeneidade de dose, possivelmente devido a interações entre a INH e excipientes insolúveis presentes na matriz do comprimido. Amostras armazenadas a 40 °C apresentaram alteração de cor a partir do 60º dia. As formulações mais concentradas (50 mg/mL), preparadas com o IFA, exibiram coloração amarelada desde o primeiro dia, porém permaneceram estáveis durante todo o período estudado. Conclusão: Conclui-se que as formulações manipuladas com o IFA demonstraram boa estabilidade físico-química e representam alternativa viável para uso pediátrico, sobretudo quando armazenadas sob refrigeração.