Serviços clínicos providos por farmacêuticos na admissão hospitalar: da avaliação da qualidade de evidências à elaboração de um documento de prática clínica
Assistência Farmacêutica; Hospitais; Admissão do Paciente; Serviço de Farmácia Clínica.
Introdução: A admissão no contexto hospitalar é uma etapa estratégica no cuidado ao paciente hospitalizado, fundamental para assegurar a continuidade da farmacoterapia, identificar resultados negativos associados aos medicamentos e reduzir riscos relacionados ao processo de transição do cuidado. Nesse contexto, aplicação de critérios de elegibilidade para o cuidado, classificação de risco farmacoterapêutico, anamnese farmacêutica, elaboração do plano de cuidado farmacêutico e reconciliação medicamentosa destacam-se como serviços ou atividades essenciais realizadas na admissão hospitalar. Objetivos: Avaliar Documentos de Prática Clínica (DPCs) e revisões científicas bem como identificar as melhores recomendações e estratégias voltadas à organização e à padronização da admissão farmacêutica, visando à elaboração de uma proposta de um DPC. Métodos: A dissertação foi composta por dois artigos principais, uma proposta de DPC baseada nas melhores evidências identificadas e perspectivas para continuidade do trabalho. O primeiro artigo consistiu em uma revisão de escopo de DPCs sobre serviços providos por farmacêuticos na admissão hospitalar. Os DPC foram avaliados pelo instrumento Appraisal of Guidelines for Research & Evaluation II (AGREE II). O segundo artigo correspondeu a uma revisão de revisões (Overview), utilizando a ferramenta A Measurement Tool to Assess Systematic Reviews II (AMSTAR II) para avaliação da qualidade metodológica das revisões incluídas na amostra final. Esse processo permitiu avaliar a qualidade das evidências disponíveis, sintetizar as principais recomendações identificadas e elencar os principais desfechos clínicos encontrados em cada revisão. A proposta de DPC foi estruturada com seções específicas sobre os principais conteúdos necessários ao DPC, enquanto o quarto componente abordou perspectivas de aprimoramento, validação e implementação futura. Resultados: No primeiro estudo, foi possível identificar que os DPCs foram classificados em sua maioria como “não recomendado” ou “recomendado com modificações”. Quanto às revisões, a maior parte dela apresentou qualidade metodológica “criticamente baixa”. Com base nas principais recomendações e desfechos identificados, foi elaborado uma proposta de DPC estruturada em seções que contemplam conceito do serviço; justificativa para sua aplicação; recursos necessários para sua implementação; critérios de inclusão e exclusão que o farmacêutico deve considerar para a realização do serviço; principais recomendações; e, por fim, orientações sobre o registro das atividades nos prontuários hospitalares. Conclusão: Os estudos demonstraram baixa qualidade na maioria das evidências disponíveis, evidenciando a necessidade de elaboração de uma síntese narrativa e aplicação de métodos de consenso para elaboração de recomendações, para sua posterior implementação.