Elaboração de documento de Prática Clínica Relacionado ao Cuidado Farmacêutico na Alta Hospitalar
Prática Farmacêutica Baseada em Evidências; Hospitais; Cuidado Transicional; Guia de Prática Clínica.
Introdução: A alta hospitalar é um dos momentos de maior vulnerabilidade farmacoterapêutica na trajetória do paciente, associando-se à ocorrência de eventos adversos relacionados a medicamentos, reinternações precoces e descontinuidade do cuidado. Nesse cenário, dois serviços clínicos farmacêuticos se destacam entre todas as possibilidades, a orientação de alta e a reconciliação medicamentosa, com impacto relevante na redução de erros terapêuticos e na segurança do paciente durante a transição do cuidado. Entretanto, no Sistema Único de Saúde (SUS), a oferta desses serviços apresenta-se variável e pouco sistematizada, com escassez de instrumentos padronizados que orientem os processos de trabalho. Objetivos: Elaborar um Documento de Prática Clínica (DPC) baseado em evidências para sistematizar o cuidado farmacêutico na alta hospitalar, integrando os serviços de orientação de alta e de reconciliação medicamentosa, contextualizado à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). Métodos: Estudo de desenvolvimento de DPC, envolvendo duas etapas: conduziu-se uma umbrella review em dois grandes temas, orientação de alta e reconciliação medicamentosa, com revisões sistemáticas identificadas por busca sistematizada (PubMed, Embase, Cochrane Library, Web of Science, Scopus e BVS) e não sistematizada, protocolos registrados no PROSPERO e qualidade metodológica avaliada por quatro revisores independentes por meio do A Measurement Tool to Assess Systematic Reviews II (AMSTAR II), com concordância aferida pelo coeficiente Kappa de Fleiss; seguido da síntese e consolidação das recomendações e os desfechos convergentes, da qual foram sintetizados e consolidados. A força e a direção das recomendações foram atribuídas por um sistema adaptado, fundamentado na confiança das evidências pelo AMSTAR-2 e na convergência entre as revisões. Resultados: As revisões culminaram em resultado conforme segue: orientação de alta foram incluídas 13 revisões (69,2% de confiança criticamente baixa, 23,1% baixa e uma (7,7%) de alta confiança, nenhuma moderada); para a reconciliação medicamentosa, outras 13 revisões (46,2% baixa, 38,5% criticamente baixa e duas (15,4%) de alta confiança, nenhuma moderada). Em ambas, as fragilidades concentraram-se em itens críticos, entre eles: ausência de registro prévio do protocolo, não disponibilização da lista de estudos excluídos e omissão das fontes de financiamento dos estudos primários. Apesar das limitações, observou-se convergência nas recomendações, reconciliação medicamentosa, educação individualizada do paciente, acompanhamento pósalta e integração com a atenção primária, que fundamentaram uma versão preliminar do DPC, composta por recomendações organizadas por serviço, critérios de elegibilidade, recursos necessários, instrumentos de registro, indicadores de monitoramento e estratégias de implementação. Conclusão: A fragilidade metodológica das evidências relacionadas ao tema reforça a necessidade de instrumentos robustos para orientar o cuidado farmacêutico na alta hospitalar. Ao integrar a orientação de alta e a reconciliação medicamentosa, o DPC constitui ferramenta estruturante para a gestão e a assistência na rede pública do Distrito Federal. Dessa maneira, evidenciado a necessidade de elaboração de uma síntese narrativa e aplicação de métodos de consenso para avaliação de recomendações, para sua posterior implementação.