INTERNAÇÕES SENSÍVEIS EM CRIANÇAS DE 0 A 9 ANOS: UM ESTUDO NO DISTRITO FEDERAL DE 2018 A 2023
“Saúde da Criança; Internações Hospitalares; Atenção Primária à Saúde; Estudos Ecológicos; Distrito Federal.”
“A dissertação analisa as Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) são compostas por fatores sociodemográficos, estruturais e regionais. O estudo parte do pressuposto de que as ICSAP constituem um indicador indireto de desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS), refletindo sua capacidade resolutiva, acessibilidade e equidade. Trata-se de um estudo ecológico retrospectivo de abordagem quantitativa, fundamentado em dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). As análises foram conduzidas em duas etapas: uma descritiva, voltada ao perfil temporal, demográfico e geográfico das ICSAP, e outra analítica, que empregou modelagem estatística multinomial para identificar preditores de internação e maior tempo de hospitalização (≥3 dias). Foram incorporadas variáveis relativas à estrutura da APS, vulnerabilidade social, renda domiciliar, cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) e características regionais do DF. Os resultados revelaram 9.780 internações sensíveis no período analisado, com queda acentuada em 2021 — atribuída à pandemia de Covid-19 — e recomposição até 2023. As doenças gastrointestinais permaneceram como as principais causas em crianças de 0 a 4 anos, enquanto as condições respiratórias e metabólicas apresentaram crescimento proporcional, sobretudo nas faixas etárias mais velhas (5–9 anos). O tempo de internação prolongado associou-se positivamente a doenças respiratórias (OR=1,60) e metabólicas (OR=2,57), refletindo maior gravidade clínica. As regiões Central, Centro-Sul, Norte e Oeste do DF exibiram as maiores razões de chances para ICSAP, indicando desigualdades territoriais vinculadas à distribuição desigual de recursos e à cobertura variável da APS. Em contrapartida, não houve associação significativa com renda domiciliar per capita nem com cobertura de planos privados, o que sugere que aspectos organizacionais e estruturais da rede pública exercem papel mais determinante. As ICSAP infantis no DF refletem tanto limitações estruturais e regionais da APS quanto efeitos das desigualdades sociais. Defende-se o fortalecimento da Atenção Primária, com foco na coordenação do cuidado, ampliação da cobertura territorial e qualificação do manejo clínico de doenças respiratórias, metabólicas e gastrointestinais, a fim de reduzir hospitalizações evitáveis e promover a equidade em saúde infantil.”