Banca de DEFESA: DALILA FERNANDES GOMES

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DALILA FERNANDES GOMES
DATA : 10/12/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Plataforma teams
TÍTULO:

Degeneração Macular Relacionada à Idade no Brasil: Atenção em Saúde e Impacto Socioeconômico


PALAVRAS-CHAVES:

“Palavras-chave: Degeneração Macular; Sistema Único de Saúde; Oftalmologia; Saúde Ocular; Equidade em Saúde ”


PÁGINAS: 1000
RESUMO:

“Introdução: A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença oftalmológica crônica progressiva que, geralmente, acomete pacientes a partir dos 50 anos de idade. Caracteriza-se por uma lesão na área central da retina, podendo levar à redução da acuidade visual ou mesmo à cegueira legal. O comprometimento visual progressivo associado à DMRI ocasiona impactos funcionais e sociais significativos, podendo afetar a capacidade laboral, a autonomia e a participação social dos pacientes. Objetivo: Analisar de forma integrada a assistência à DMRI no Brasil, considerando as dimensões clínica, geográfica, assistencial e econômica, com foco nas desigualdades e impactos que orientam o aprimoramento das políticas de saúde ocular. Método: Foi estruturada uma abordagem abrangente e multifacetada sobre a DMRI no Brasil, composta por quatro métodos distintos. Inicialmente, realizou se uma revisão sistemática da literatura para avaliar a efetividade dos métodos de rastreamento da DMRI em adultos com 50 anos ou mais. Em seguida, conduziu-se um estudo transversal com base em dados secundários do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) de 2024 para examinar a distribuição dos oftalmologistas no território nacional. Outro estudo transversal, utilizando informações do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e do CNES, investigou a implementação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da DMRI no Sistema Único de Saúde entre 2019 e 2023. Por fim, foi conduzida uma análise dos custos previdenciários decorrentes do absenteísmo por DMRI no período de 2018 a 2024, com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Resultados: (1) Na revisão sistemática que avaliou a dimensão clínica sobre os métodos de rastreamento, ao todo foram identificados 5.290 registros, dos quais quatro estudos preencheram os critérios de inclusão e foram incluídos na revisão sistemática. Um total de 8.839 indivíduos (16.886 olhos) foram incluídos na análise. Os métodos de rastreamento avaliados foram baseados em exame de tomografia de coerência óptica (TCO) comparado à fotografia colorida de fundo de olho, exame de TCO e exames desenvolvidos por meio da telemedicina comparados ao exame oftalmológico padrão. Os dados sistematizados sugerem desempenho satisfatório no rastreamento precoce da população sob o risco de desenvolver a DMRI. O exame de tomografia de coerência óptica e a técnica da telemedicina apresentaram resultados promissores no rastreamento da doença. Contudo, foram identificados problemas metodológicos nos estudos selecionados e o grau de evidência foi considerado muito baixo. (2) Na análise geográfica, foram identificados 19.974 oftalmologistas, vinculados a instituições de saúde públicas e privadas em todo o território nacional, o que representa uma densidade de um especialista para cada 10.167 habitantes. No sistema público, foram contabilizados 10.534 oftalmologistas, com uma densidade de um para cada 19.279 habitantes. Cerca de 8.000 oftalmologistas trabalhavam em tempo integral (40 horas semanais). Das 440 regiões de saúde do país, 24 não contavam com nenhum oftalmologista. Em nível municipal, apenas 1.307 dos 5.570 municípios (23,5%) possuíam pelo menos um oftalmologista, concentrando 74,6% da população nacional. (3) Na dimensão assistencial, observou-se que, entre 2019 e 2023, a taxa de oftalmologistas por 100 mil habitantes aumentou de 6,41 para 7,88, acompanhada de crescimento progressivo na realização dos procedimentos de TCO e de aplicação intravítrea de medicamentos antiVEGF (TMD-R) em indivíduos com 60 anos ou mais, embora tenha ocorrido redução em 2023. A maioria das unidades federativas apresentou aumento concomitante no número de oftalmologistas e na realização desses procedimentos. Verificou-se associação positiva e significativa entre a taxa de oftalmologistas e a execução dos dois procedimentos, com correlações moderadas e estatisticamente significativas tanto para TCO quanto para TMD-R. (4) Na avaliação econômica, foram identificados 3.507 benefícios previdenciários relacionados à DMRI, sendo 71,3% de Auxílio por Incapacidade Temporária, 16,5% de Aposentadoria por Incapacidade Permanente e 12,1% de Amparo Social à Pessoa com Deficiência. A maioria dos beneficiários era do sexo masculino e com até 60 anos. Observou-se redução progressiva na duração média do Auxílio por Incapacidade Temporária, atingindo quatro meses em 2024, enquanto a aposentadoria e o amparo social mantiveram durações mais longas e custos mais elevados. O gasto acumulado superou R$ 189 milhões, sendo a aposentadoria responsável pela maior parcela. Considerações finais: Os achados deste estudo evidenciam que a DMRI representa um importante desafio de saúde pública no Brasil, demandando ações intersetoriais e estratégias de gestão integradas. A subutilização e a concentração regional de oftalmologistas, as desigualdades no acesso a exames e terapias, e os custos previdenciários decorrentes da perda visual revelam lacunas estruturais na assistência à DMRI, especialmente no âmbito do SUS. Tais resultados reforçam a necessidade de políticas públicas que promovam o diagnóstico precoce, ampliem o acesso equitativo aos cuidados oftalmológicos e fortaleçam os mecanismos de proteção social voltados às pessoas com deficiência visual.” 


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - THAIS PIAZZA DE MELO - MS
Presidente - 1681340 - EVERTON NUNES DA SILVA
Interno - ***.640.403-** - JORGE OTAVIO MAIA BARRETO - UFPI
Externo à Instituição - MAURO GOLDBAUM - UNIFESP
Externa à Instituição - Ávila Teixeira Vidal - PR
Notícia cadastrada em: 03/12/2025 12:44
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