"(IN) SEGURANÇA ALIMENTAR E PREDITORES DO COMPORTAMENTO RELACIONADOS À SEGURANÇA DOS ALIMENTOS EM PESSOAS ATENDIDAS PELO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE"
"Segurança dos alimentos; Insegurança alimentar e nutricional; Teoria do Comportamento Planejado; Sistema Único de Saúde."
"O aumento das desigualdades sociais e econômicas tem intensificado a insegurança alimentar em diferentes contextos, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Paralelamente, as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) permanecem como um importante problema de saúde pública, com destaque para a ocorrência no ambiente domiciliar. Nesse contexto, compreender os fatores comportamentais associados à manipulação segura de alimentos torna-se essencial. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre os preditores comportamentais da Teoria do Comportamento Planejado (TCP) e o estado de insegurança alimentar entre usuários do SUS atendidos em um hospital universitário. Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e exploratório, realizado com 213 participantes adultos atendidos no Hospital Universitário de Brasília. A coleta de dados ocorreu entre julho e setembro de 2025, por meio de questionário validado que avaliou características sociodemográficas, insegurança alimentar, conhecimento, percepção de risco e os construtos da TCP. Os resultados mostraram elevada prevalência de insegurança alimentar (62,9%) e de excesso de peso. O nível de conhecimento sobre segurança dos alimentos foi predominantemente alto. A insegurança alimentar não se associou de forma significativa aos comportamentos ou às intenções de manipulação segura dos alimentos. A percepção de risco também não se mostrou preditora do comportamento. Em contrapartida, os construtos originais da TCP, especialmente atitude, norma subjetiva e controle comportamental percebido, apresentaram associações positivas e estatisticamente significativas com a intenção e o comportamento. A atitude destacou-se como o preditor mais forte da intenção. Os achados indicam que a adoção de práticas seguras de manipulação de alimentos é influenciada principalmente por fatores comportamentais, e não diretamente pelo estado de insegurança alimentar, ressaltando a importância de estratégias educativas contextualizadas, que considerem determinantes sociais e o cuidado centrado no paciente no âmbito do SUS. "