ESCUTANDO AS MAIS VELHAS”: UM OLHAR INTERSECCIONAL PARA AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO ENVELHECIMENTO
Envelhecimento”, “Interseccionalidades”, “Representações Sociais
O envelhecimento populacional é uma realidade que vem transformando a demografia brasileira nas últimas décadas. A construção de políticas públicas neste cenário demanda a compreensão do envelhecimento como um fenômeno complexo e socialmente determinado. A Teoria das Representações Sociais fornece aporte teórico para compreender de que forma as pessoas velhas são percebidas socialmente e as implicações concretas destas percepções. O objetivo deste trabalho foi analisar as representações sociais dos processos de envelhecimento de mulheres brasileiras considerando as interseccionalidades de raça, classe e gênero. Tratou-se de um estudo qualitativo de natureza exploratória, inserido no campo das ciências sociais em saúde. Em primeiro momento, realizou-se um ensaio teórico em que se buscou refletir de forma crítica acerca das características socioculturais que condicionam o envelhecimento de mulheres na modernidade, considerando a perspectiva da interseccionalidade. Em seguida, realizou-se uma revisão de literatura sobre envelhecimento e interseccionalidades no escopo da Teoria das Representações Sociais. Em terceiro momento, foi realizada a análise de entrevistas de mulheres consideradas idosas concedidas ao podcast “Escute As Mais Velhas” em que se observou os marcadores de gênero, raça e classe em seus processos de envelhecimento. Encontrou-se como resultados a predominância de representações sociais que têm o envelhecimento como algo indesejável e a busca da juventude como um imperativo moral. Identificou-se que os valores de utilidade e progresso que alicerçam a modernidade capitalista cumprem papel determinante na marginalização social de pessoas velhas. Identificou-se ainda que o racismo e a desigualdade de gênero ao longo do percurso de vida influenciam nas perspectivas e condições de envelhecimento de mulheres. Ressalta-se, por fim, a necessidade de maiores estudos sobre a determinação social do envelhecimento que considerem as interseccionalidades de raça, classe, gênero, território e outras