AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO DAS CEPAS DOS POTENCIAIS PROBIÓTICOS (SBR 64.7 E S180.7) NO QUEIJO MINAS FRESCAL EM MINIATURA.
Probióticos; patógenos; potencial antimicrobiano; queijo; miniatura.
Nos últimos anos, surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA’s) vem ocorrendo ao redor do mundo devido a uma série de fatores atrelados diretamente a globalização mundial. Alguns dos alimentos mais afetados são o leite e seus derivados, visto que o leite é um alimento rico em nutrientes e com elevado teor de umidade, o que propicia a propagação de patógenos. A utilização de bactérias lácticas com capacidades de eliminar microrganismos contribuem na produção e conservação do leite e seus derivados. Os probióticos são bactérias benéficas a saúde humana, pois alteram a microbiota intestinal, protegem contra patógenos, fortalecem o sistema imunológico e influenciam positivamente a composição dos alimentos. Para que seja considerado probiótico, a bactéria láctea, principalmente, tem que resistir a passagem pelo trato gastrointestinal (TGI), apresentar potencial antimicrobiano e ser capaz de aderir ao epitélio intestinal. Os derivados lácteos são excelentes matrizes para esses microrganismos, pois protegem e aumentam a resistência dos probióticos ao passarem pelo TGI. Os queijos são consideravelmente melhores carreadores de probióticos quando comparados aos leites fermentados ou outros produtos lácteos. Dentre os diversos tipos de queijos, o Minas Frescal é um dos queijos mais populares na mesa dos consumidores brasileiros, sendo o terceiro mais produzido e consumido no país. Os patógenos que mais acometem derivados lácteos são: Escherichia coli e Staphylococcus aureus. O objetivo principal deste estudo foi avaliar o comportamento físico-químico e microbiológico dos dois potenciais probióticos, L. plantarum SBR 64.7 e L. plantarum S180.7, e seu potencial antimicrobiano contra os patógenos de E. coli e S. aureus em queijos Minas Frescal em escala reduzida. Foi utilizada a concentração de inóculo de potenciais probióticos e patógenos em 60µl nos queijos em miniatura. Em seguida foram avaliadas as cinéticas de crescimento (pH, acidez titulável), a composição química e feitas as análises microbiológicas (viabilidade e simulação in vitro) das cepas de L. plantarum SBR 64.7 e S180 durante um período de armazenamento a 4ºC graus por 21 dias, além do potencial antimicrobiano dessas estirpes contra os patógenos de Escherichia coli e Staphylococcus aureus. O queijo adicionado da estirpe L. plantarum S180.7 obteve valores de pH e acidez titulável significativamente maiores (p < 0,05) que a estirpe L. plantarum SBR64.7 durante o armazenamento refrigerado de 21 dias. Os queijos adicionados das estirpes de L. plantarum obtiveram uma queda significativa (p < 0,05) em relação ao queijo controle nos teores de proteína. A viabilidade das estirpes foi comparada com a viabilidade do consórcio das estirpes com os patógenos. L. plantarum SBR64.7 manteve linearidade em seu crescimento durante o armazenamento com o consórcio de E.coli, enquanto no consórcio com o S. aureus, obteve aumento significativo (p < 0,05) em relação ao controle. Já o comportamento da estirpe de L. plantarum S180.7 demonstrou em consórcio com E. coli um aumento significativo (p < 0,05) considerável ao fim dos 21 dias, em relação ao controle, e, por fim, com a estirpe em consórcio com o S. aureus foi o menor. Quanto ao potencial antimicrobiano, a estirpe de L. plantarum S180.7 obteve resultados significativamente melhores que a estirpe L. plantarum SBR64.7 na resposta antagônica de E. coli, e resultados semelhantes com S. aureus. A estirpe L. plantarum S180.7 no queijo Minas Frescal apresentou maior percentual de sobrevivência após a exposição ao suco gástrico simulado, ao suco pancreático simulado e ao suco gástrico e pancreático em condições sucessivas, que pode destacar o potencial protetor da matriz láctea e sua interação com essa estirpe.