ANESTESIA TOTAL INTRAVENOSA COM INFUSÃO CONTÍNUA DE PROPOFOL ASSOCIADO AO REMIFENTANIL OU FENTANIL EM AVES
analgesia perioperatória; avaliação de risco anestésico; anestesiologia de aves; medicina de aves silvestres
Apesar dos avanços na anestesiologia de aves, grande parte da literatura ainda se baseia em modelos experimentais restritos ou em protocolos altamente controlados, limitando a extrapolação dos achados para a prática clínica com aves silvestres de diferentes táxons. Este estudo teve como objetivo avaliar o uso da anestesia total intravenosa (TIVA), por meio da infusão contínua de propofol associada ao remifentanil ou fentanil, como técnica de manutenção anestésica em aves silvestres submetidas a procedimentos cirúrgicos de dor moderada a severa, bem como analisar a segurança clínica e o requerimento anestésico em um contexto real de atendimento hospitalar. Trata-se de um estudo clínico observacional, realizado a partir da casuística de aves silvestres submetidas a procedimentos cirúrgicos no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília, entre abril de 2024 e outubro de 2025, com aprovação por comitê de ética. As aves foram classificadas quanto ao risco anestésico (ASA I a IV) e quanto ao grau de invasividade e estímulo nociceptivo dos procedimentos. Foram registrados parâmetros fisiológicos, eventos adversos intraoperatórios, doses de indução e taxas de manutenção dos fármacos, além dos tempos de latência, indução e recuperação anestésica. A análise dos dados permitiu avaliar o comportamento anestésico do protocolo em diferentes ordens de aves, bem como sua segurança clínica, considerando estabilidade anestésica, ocorrência de eventos adversos e desfecho em até 48 horas. Os resultados reforçam o potencial da TIVA como alternativa segura e aplicável à anestesia de aves silvestres em ambiente clínico, contribuindo para a padronização de condutas anestésicas