ANÁLISE ESTRUTURAL DA CÓRNEA CANINA E FELINA
transplante, enxerto, ceratoplastia, banco de córneas, cães, gatos
A córnea, avascular e translúcida, concentra os papéis de proteção e refração
ocular, funções possíveis devido a sua ultraestrutura altamente especializada (Gipson,
1994; Samuelson, 1999). É composta histologicamente pelo epitélio, estroma,
membrana de Descemet e endotelial. A manutenção estrutural e funcional da córnea
está diretamente ligada à função refrativa, sendo a córnea responsável por mais de 60%
do poder refrativo dos olhos (Waring III, 1992; Land & Fernald, 1992). Disfunções e
opacidades em qualquer meio de refração - córnea, humor aquoso, lente e o humor
vítreo - interferem na formação das imagens (Pederson et al, 2019; Park et al, 2022).
Afecções corneanas são frequentemente diagnosticadas em cães e gatos (Grahn 2019;
Sebbag & Mochel, 2020). Dentre tais afecções estão as ceratites ulcerativas profundas e
as perfurações corneanas. São frequentemente diagnosticados como causas mais
comuns de tais lesões em cães, os traumas por arranhaduras, abrasões, queimaduras
químicas e corpos estranhos. Em gatos, o sequestro corneano é elencado como uma das
principais afecções que potencialmente podem levar a déficit visual (Voitekha &
Shilkin, 2021).
Na busca por uma alternativa eficaz para preservação da acuidade visual de
cães, os transplantes de córnea têm sido estudados na oftalmologia veterinária, pois
sabe-se que geralmente resultam em melhor cicatrização e, consequentemente, redução
de opacidades pós-operatórias e defeitos na curvatura da córnea (Marcon et al, 2013;
Kim et al, 2019; Voitekha & Shilkin, 2021).
No entanto, embora a córnea seja considerada um dos melhores tecidos para
ceratoplastias penetrantes, discos corneanos frescos nem sempre estão disponíveis na
rotina clínica. Além disto, verifica-se uma escassez de estudos na Medicina Veterinária
quanto à preservação deste tecido e aos métodos de conservação que permitam seu
armazenamento. Este estudo visa analisar por técnicas de microscopia de luz,
microscopia eletrônica de transmissão e varredura, córneas caninas sadias preservadas a
frio em meio Eusol-C ® a 4ºC e, amostras criopreservadas. Bem como, avaliar o impacto
do sequestro corneano na estrutura e função da córnea felina.