A institucionalização da licenciatura em Ciências Sociais na Universidade de Brasília a partir dos anos 2000
Ensino de Sociologia; História do Ensino de Sociologia; Formação docente; Institucionalização
Esta dissertação investiga o processo de institucionalização da licenciatura em Ciências Sociais na Universidade de Brasília (UnB) a partir dos anos 2000, com foco na regulamentação da formação de professores e em suas implicações institucionais. A pesquisa fundamenta-se na teoria dos campos de Pierre Bourdieu e considera a licenciatura como um espaço de negociação institucional situado na interface entre o campo da Sociologia e o campo educacional. O objetivo é compreender de que modo normativas nacionais — como os pareceres e resoluções do Conselho Nacional de Educação (2001, 2002, 2015) e a Lei nº 11.684/2008 — incidiram sobre a estrutura curricular e a organização da formação docente, especialmente no que se refere ao estágio supervisionado, configurando processos de articulação entre a licenciatura e o bacharelado. A metodologia combina análise documental do Arquivo do Departamento de Sociologia da UnB (2002–2020) com 10 entrevistas semiestruturadas realizadas com docentes, representantes discentes e técnica-administrativa que desempenharam papéis relevantes na condução do curso. Os resultados indicam que a incorporação das diretrizes nacionais ocorreu de forma mediada por arranjos institucionais específicos, nos quais se combinam prescrições normativas e margens de atuação dos agentes envolvidos. A principal contribuição do trabalho consiste em oferecer um marco históricoinstitucional da licenciatura em Ciências Sociais na UnB, evidenciando os processos de negociação e institucionalização que acompanham a profissionalização da docência em Sociologia no Brasil.