A Construção do Ensino Superior na Guiné-Bissau: Uma Análise da Concepção da Universidade Amílcar Cabral (UAC)
Estado; Ensino Superior; Universidade Amílcar Cabral; Guiné-Bissau;
A presente dissertação analisa a construção do ensino superior na Guiné-Bissau, com enfoque na concepção da Universidade Amílcar Cabral (UAC), no período que compreende os anos de 1999 a 2020. Este trabalho de pesquisa visa compreender o processo histórico, sociopolítico e institucional que influenciou a concepção e o desenvolvimento da UAC ao longo dos últimos anos, analisa também o modelo universitário adotado para a realidade do país. Partimos do princípio de que a criação das universidades nos países africanos pós-independência ocorre de forma semelhante, por meio dos desafios da instabilidade política e institucional, herança e dependência dos sistemas universitários ocidentais e limitações financeiras. O trabalho seguiu numa abordagem qualitativa, tendo analisado os documentos oficiais e realizado entrevistas semiestruturadas com ex-reitores e membros da comissão organizadora da UAC. Desta forma, o resultado da pesquisa demonstra que o processo de construção do ensino superior na Guiné-Bissau está atrelado profundamente às consequências da constante instabilidade política e institucional do país, resultando na fragilidade das instituições estatais, forte influência da cooperação internacional na esfera do ensino superior, bem como da sua dependência estrutural e financeira na criação da UAC. Também a análise evidencia as tensões entre a concepção ideológica do discurso de construção de uma universidade nacional contra o discurso de inovação e reprodução de modelos universitários externos. Considera-se que a instabilidade institucional da Universidade Amílcar Cabral (UAC) não se deve a uma única questão, mas o reflexo de várias circunstâncias estruturais e políticas que condicionam o insucesso – a forte dependência externa, falta de políticas para universidade, fragilidade do Estado, incompatibilidade do modelo universitário a realidade do país e ausência de participação da sociedade civil no processo da edificação da universidade. Por fim, é preciso repensar uma nova roupagem para a UAC, criar políticas públicas consistente e que seja assertiva para mudar o cenário da situação da universidade, tornar a instituição mais autônoma e sustentável para a realidade da Guiné-Bissau.