ARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA NOVA ESFERA PÚBLICA: INTERRELAÇÕES ENTRE AS REDES SOCIOTÉCNICAS E A QUALIDADE DA DEMOCRACIA GUINEENSE (2014-2025)
Teoria Ator-Rede; Teoria de Ação Comunicativa; Redes Sociais; Democracia.
O presente trabalho, a partir da Teoria Ator-Rede - ANT - (LATOUR, 2012) em diálogo com a Teoria de
Ação Comunicativa - TAC (HABERMAS, 2022), visa analisar as interrelações entre as redes
sociotécnicas, particularmente o Facebook, e a qualidade da democracia na Guiné-Bissau, considerando
as assimetrias de acesso e participação. Interessa-nos a compreensão da forma como diferentes atores se
relacionam entre si e a maneira como tais relações se manifestam ou desdobram no contexto político
guineense, em que o advento das redes sociais digitais tende a (re)configurar o próprio conceito de
cidadania e a relação sociedade-Estado, que passa a ser mediada em boa parte pelas tecnologias digitais
e redes sociais. Embora cientes de tensão teórica, ambos os construtos teóricos serão fundamentais para
a análise que se pretende empreender no trabalho. A Tensão teórica entre ANT e Teoria da Ação
Comunicativa será resolvida por meio de "níveis analíticos distintos": ANT, para o momento descritivo-
cartográfico/ incluindo tecnologia; TAC, para a avaliação normativa deliberativa. A simetria
generalizada da ANT, ao atribuir agência aos algoritmos como actantes, produz consequências que
colide com a perspectiva habermasiana: se o algoritmo do Facebook é actante que "modela" a
comunicação, ele não é apenas um ruído ou distorção da esfera pública - ele constitui a esfera pública.
Dado à natureza do presente trabalho e objetivos nele traçados, será aplicada a metodologia de Análise
de Redes Sociais (ARS) de abordagem qualitativa. Justifica-se o uso da ARS, de abordagem qualitativa,
para a realização da presente pesquisa, por ser mais adequado para a compreensão de configuração e
dinâmica de relações complexas que se dão a partir do ciberespaço, que denominamos neste trabalho de nova esfera pública. No contexto guineense, o Facebook pode ser uma moeda de duas faces: se por um
lado, serve para o fortalecimento da democracia e ampliar as possibilidades de participação política,
especialmente em um contexto de dura repressão das liberdades democráticas pelo Estado; por outro,
para além de tendência de ser instrumentalizado para propagar discursos que contradizem os princípios e
valores democráticos, tal plataforma pode reproduzir as assimetrias e desigualdades estruturais já
existentes.