Práticas adaptativas em função da percepção das mudanças climáticas: o caso dos moradores da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu (Bragança, Pará)
Reservas Extrativistas; Mudanças Climáticas; Brasil; Adaptação
Este trabalho de pesquisa constitui um esforço interpretativo que buscou enfocar, com base em evidências, a relação entre a proteção ambiental em Unidades de Conservação da Natureza (UCs) e as práticas adaptativas às mudanças climáticas integradas aos modos de vida sustentáveis de comunidades locais de Bragança, no estado do Pará. No caso estudado, a gestão do território é realizada em conjunto com instituições públicas voltadas à defesa do meio ambiente e do clima, a exemplo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Pesquisas com foco na percepção ambiental da relação homem-natureza vêm ganhando relevância para a compreensão da preservação ambiental realizada no território. No contexto amazônico, constatamos evidências de que comunidades caracterizadas por seu modo de vida tradicional e pela sustentabilidade ambiental revelam saberes fundamentados em percepções de um mundo ecologicamente correto. Nesse sentido, acreditamos que conhecer a percepção dessas comunidades pode atuar como ferramenta de diagnóstico, além de seremnorteadoras de estratégias de planejamento do uso dos espaços e dos recursos naturais. Argumenta-se, portanto, com base nos relatos dos interlocutores e em ampla revisão bibliográfica, que o aperfeiçoamento da gestão compartilhada de Unidades de Conservação, em geral, e da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, em particular — por meio do fortalecimento de Conselhos Deliberativos e de uma cogestão mais participativa e democrática —, pode ser considerada como uma prática adaptativa às mudanças climáticas, devendo ficar evidente que a proteção da reserva exige o aperfeiçoamento da gestão do território e o suporte às associações locais, conferindo às comunidades locais o papel de protagonistas da preservação ambiental, em detrimento de interesses instrumentais na cogestão.