POR UMA TEORIA LITERÁRIA FEMINISTA NEGRA: A ESCREVIVÊNCIA E A RECONSTRUÇÃO DO SELF PARA PESSOAS NEGRAS - UMA ANÁLISE DE TRAJETÓRIA DE MARIA FIRMINA DOS REIS, CAROLINA MARIA DE JESUS E CONCEIÇÃO EVARISTO
Escrevivência; Conceição Evaristo; Carolina Maria de Jesus; Maria Firmina dos Reis; Feminismo Negro.
O objetivo deste trabalho é discutir o processo de consagração e circulação de texto de escritoras negras, em particular Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, a partir de conceitos no campo do feminismo negro, tais como imagens de controle e interseccionalidade, além de conceitos que discutem a construção da subjetividade da mulher negra, tal como pensavam Fanon (2008), Neusa Santos Souza (2021) e Berenice Bento (2024). Bastante centrais para esta tese também serão os conceitos de Pierre Bourdieu (1996), que elabora uma análise sobre campo social, habitus, trajetória, sobre os valores inquestionáveis no campo, como a doxa, e conceitos que colaboram para entender a trajetória escolar e cultural, tal como o conceito de capitais. A invisibilidade com que as escritoras negras vivem suas experiências é bastante marcante quando observamos o campo literário brasileiro e o pouco reconhecimento de sua obra e consagração delas. Neste aspecto, percebemos que estudar mulheres negras, como destaca bell hooks (1995), sem pontuar sua trajetória é uma falha metodológica, já que seus escritos trazem um fenômeno descrito por Conceição Evaristo como escrevivência. Por isso, a metodologia deste trabalho consiste em analisar a construção das instâncias que proporcionaram a sua legitimação, ainda que tardia, conectando tal análise às questões emocionais aliadas e construção de suas narrativas. Quer dizer que a interseccionalidade é mais do que um conceito ou ferramenta metodológica para compreender a episteme das mulheres negras, é o lugar de onde partem as violências direcionadas a elas. Como resultado da pesquisa, apresentam-se as relações delicadas que as autoras precisaram tecer com o poder político, com a imprensa e com a sociedade patriarcal da época.