AS TRAMAS QUE ENVOLVEM FAMÍLIAS E PARTIDOS POLÍTICOS NA CÂMARA MUNICIPAL DE ITABERABA-BAHIA PÓS ESTADO NOVO (1949-1955)
poder local; elites familiares; partidos políticos
A tese examina as dinâmicas políticas, familiares e territoriais que estruturaram o poder local em Itaberaba (Bahia) entre 1949 e 1955, período marcado pela reabertura da Câmara Municipal e pela reorganização partidária após o Estado Novo. Localizado no Território de Identidade Piemonte do Paraguaçu, o município apresenta uma trajetória histórica pouco explorada pela historiografia, marcada desde o período colonial pela combinação entre atividades pecuárias, redes de circulação e formação de núcleos populacionais no entorno do rio Paraguaçu. Ao longo do século XX, consolidou-se ali uma elite composta por proprietários rurais, profissionais liberais e intelectuais, cujas bases de poder se ancoraram na posse da terra, nos vínculos familiares, na autoridade simbólica e na capacidade de articulação política. Nesse contexto, analisar a relação entre famílias e partidos revela-se essencial para compreender o funcionamento da política local no processo de redemocratização pós-1945. O objetivo central da pesquisa é investigar como famílias tradicionais e forças partidárias — sobretudo UDN e PTB — configuraram alianças, rivalidades e estratégias de dominação na Câmara Municipal no pós-Estado Novo. A tese demonstra que, embora as instituições democráticas tenham sido restabelecidas, as práticas políticas locais mantiveram fortes continuidades, expressas no personalismo, no controle eleitoral em áreas rurais e na influência persistente das redes de parentela. Busca-se avaliar em que medida a representação política derivava da força dos partidos ou das estratégias familiares que os atravessavam e instrumentalizavam. A metodologia articula História Regional e Local com a abordagem da História Social, priorizando a análise das relações entre grupos, práticas políticas, padrões culturais e redes de sociabilidade. A pesquisa utiliza extensa documentação primária, como livros de atas da Câmara, leis municipais, registros paroquiais, correspondências, relatórios e acervos públicos e particulares, além da imprensa local e estadual, incluindo O Itaberaba, A Tarde e Diário de Notícias. O conjunto das fontes foi examinado à luz da bibliografia especializada e de referenciais teóricos que tratam de poder local, elites políticas e estruturas sociais no Brasil republicano.