Mulheres em Pauta: imprensa, maternidade, trabalho e eugenia em São Paulo (1880-1910)
Maternidade; Eugenia; Imprensa Paulista
Esta tese investiga a constituição da eugenia enquanto prática social, discursiva e institucional no Brasil, especialmente no contexto urbano paulista entre os séculos XIX e XX, a partir da análise de experiências de mulheres negras e empobrecidas nos jornais da época, com ênfase no periódico A Província de São Paulo. Longe de compreender a eugenia apenas como um discurso médico-científico consolidado no século XX, o trabalho propõe pensá-la como um processo histórico difuso, anterior à sua formalização conceitual por Francis Galton, em 1883, e profundamente enraizado nas práticas de controle, vigilância e medicalização dos corpos femininos subalternizados. A pesquisa articula raça, gênero e classe para demonstrar como a imprensa, a medicina e o Estado operaram conjuntamente na construção de uma nova moralidade de gênero e maternidade, em prol da regeneração e branqueamento da sociedade brasileira. A análise estrutura-se em torno das experiências de mulheres escravizadas e libertas, da atuação de parteiras estrangeiras e do controle sobre as amas de leite, demonstrando que a maternidade e o trabalho foram campos de disputa fundamentais na construção da identidade nacional. Conclui-se que a formação da eugenia e a reconfiguração dos papéis sociais das mulheres no pós-abolição foram processos simultâneos e co-constitutivos, onde a eugenia já operava na prática social antes mesmo de ser nomeado como tal.