A VIDA DEPOIS DO VOTO: a institucionalização da participação feminina na Bahia através do mandato de Maria Luiza Bittencourt (1931-1937)
História das mulheres; Sufrágio feminino; Cidadania; Pós-sufrágio; Maria Luiza Bittencourt; História da Bahia; Maternalismo;FBPF
A historiografia sobre a cidadania feminina no Brasil tem privilegiado a análise da campanha sufragista das primeiras décadas do século XX até a conquista do direito ao voto em 1932. No entanto, o período imediatamente posterior, marcado pelo exercício efetivo de mandatos e pela ocupação de espaços institucionais, permanece como uma lacuna crítica. Esta pesquisa analisa o processo de institucionalização da participação política feminina na Bahia entre 1931 e 1937, tomando como eixo a trajetória de Maria Luiza Bittencourt (1910-2001), a primeira deputada estadual eleita no estado. Através do exame de redes femininas, como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), e das disputas no campo político regional durante o governo Vargas, a investigação busca compreender como as mulheres traduziram o direito formal em prática política concreta. O estudo aborda as estratégias de candidatura, a atuação legislativa e as barreiras estruturais, incluindo a violência política de gênero, que moldaram essa inclusão limitada. O recorte temporal encerra-se em 1937, quando o golpe do Estado Novo interrompeu a atividade parlamentar no país, configurando um cenário de resistência e negociação em um sistema político historicamente hostil às mulheres.