IMPRESSÕES SOB ESCOMBROS: Perspectivas Ibéricas sobre o Terremoto de Lisboa de 1755 a partir da Literatura de Catástrofe
Imaginário social - História cultural e política - Portugal - Terremoto
O presente estudo examinará o debate sobre explicações e significados do Terremoto de Lisboa de 1755 através das folhas volantes sobre o tema impressas nos anos seguintes à tragédia. A tese parte do princípio de que o cataclisma catalisou disputas existentes no contexto lusitano antes da catástrofe, assim como, que a produção escrita sobre o assunto, sobretudo dos impressos efêmeros, era permeada por intencionalidades dos agentes do livro que iam além do objetivo de se compreender a catástrofe. Nesse sentido, a pesquisa se baseia em um exame de folhetos não só sobre o Terremoto de Lisboa, mas também sobre outras tragédias publicadas nos séculos XVII e XVIII no que se chama de “Literatura de Catástrofe”. A análise destes textos combina um estudo da materialidade e do processo de produção destes escritos, com uma investigação sobre as principais visões e percepções sobre a catástrofe natural na época neles impressos. Durante este exercício, serão observadas relações existentes entre estas obras e seus enunciados com elementos contextuais de seu tempo, como disputas intelectuais, institucionais, políticas, sociais e econômicas, a fim de compreender quais eram as intencionalidades e usos que os agentes do livro imputavam à literatura de catástrofe.