Hierarquias Epistêmicas Musicais: A produção de conhecimentos práticos extraverbais em manuais europeus dos séculos XVII e XVIII
História do conhecimento, hierarquias epistêmicas, manuais de teclado
A pesquisa defende que os manuais de música ingleses, franceses, alemães e italianos dos séculos XVII e XVIII tomaram parte na construção de hierarquias epistêmicas musicais por meio da produção de conhecimento prático extraverbal em formato impresso. Demonstra-se que esses livros codificaram instruções técnicas e definiram, em seu discurso prescritivo, o que era considerado conhecimento musical legítimo, distinguindo o músico competente do ignorante. O trabalho examina a genealogia tipológica dos manuais e as normatizações presentes nas fontes tanto no âmbito gestual e corporal quanto no caráter sonoro da composição. O enfoque da análise centra-se em quatro obras sobre instrumentos de teclado: Il Transilvano (Parte I, 1593, consultada na reimpressão de 1625), L’Art de toucher le clavecin (1716), A New Musical Grammar (1756) e Versuch über die wahre Art das Clavier zu spielen (1753/1762). A análise evidencia que o conhecimento prático musical era concebido como um saber simultaneamente corporal, sensorial e intelectual. A pesquisa contribui para os estudos sobre a história da música e a história do conhecimento ao mostrar como os manuais participaram da produção de conhecimentos extraverbais e da constituição de hierarquias epistêmicas musicais na Europa dos séculos XVII e XVIII.