PPGHIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DEPTO HISTÓRIA Telefone/Ramal: Não informado https://www.unb.br/pos-graduacao

Banca de DEFESA: Daniela Silva de Rezende Ferraz

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Daniela Silva de Rezende Ferraz
DATA : 31/07/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sessão virtual (Google Meet)
TÍTULO:

Improvisando no choro: prática e patrimonialização na historiografia de um gênero musical


PALAVRAS-CHAVES:

Choro; Improvisação; Pixinguinha; Patrimônio cultural; Historiografia da música popular brasileira.


PÁGINAS: 193
RESUMO:

Esta tese investiga o improviso no choro como fenômeno constitutivo da história e da patrimonialização desse gênero musical, tomando como corpus central os registros fonográficos realizados por Pixinguinha e Benedito Lacerda entre 1946 e 1950, para a gravadora RCA Victor, e suas apresentações no programa radiofônico O Pessoal da Velha Guarda. Trata-se de pesquisa documental, de natureza histórica e interdisciplinar, que articula discursos escritos e discursos musicais fixados em partituras e fonogramas. O estudo está organizado em três capítulos. O primeiro reconstrói historicamente o encontro musical entre Pixinguinha e Benedito Lacerda, situando a consolidação dos contracantos realizados por Pixinguinha, no contexto do mercado fonográfico e radiofônico carioca dos anos 1940 e problematizando a genealogia terminológica que vincula essa prática às “baixarias” dos chorões oitocentistas tanto nas cordas graves dos violões como nos instrumentos de sopro de sonoridade médio-grave, como o bombardino. O segundo capítulo, desenvolve o aparato teórico-conceitual da pesquisa, articulando a noção de improvisação idiomática presentes nos trabalhos Nettl & Russel (1998), Laborde (2005), Bailey (1993), aos conceitos de illusio e de “efeito” de real, de Pierre Bourdieu (1996), a partir dos quais se propõe a categoria analítica original “efeito” de improvisação, e discute-se ainda, em diálogo com a neurociência da cognição musical, o modo como essa impressão de espontaneidade se produz no cérebro do músico improvisador. O terceiro capítulo, analisa o processo de patrimonialização do choro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), concluído em fevereiro de 2024, bem como a institucionalização de seu ensino-aprendizagem e o papel das rodas de choro na transmissão oral desse idioma musical. Os resultados indicam que o improviso não constitui um ornamento acessório do choro, mas seu princípio constitutivo, mecanismo pelo qual essa tradição centenária se renova a cada performance e, ao mesmo tempo, permanece reconhecível por obedecer a regras historicamente sedimentadas e socialmente compartilhadas. A tese contribui, assim, para os estudos sobre Pixinguinha ao deslocar o eixo de análise da celebração biográfica do gênio individual para os mecanismos histórico e institucionais que consagraram seu legado, oferecendo ao campo dos estudos sobre improvisação na música popular brasileira um instrumento analítico original.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - GEOVANNI GOMES CABRAL - UNIFESSPA
Interno - 1958808 - ANDRE GUSTAVO DE MELO ARAUJO
Interna - 1891798 - ELOISA PEREIRA BARROSO
Presidente - 3044293 - LUIZ CESAR DE SA JUNIOR
Externa à Instituição - SHEYLA CASTRO DINIZ - USP
Notícia cadastrada em: 22/07/2026 07:41
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