Entre a Tecnologia Social e a Diplomacia da Água: A Trajetória das Cisternas
do Brasil à Tanzânia pela Perspectiva da Teoria do Sul
Programa Cisternas, Política Pública, Cooperação Sul-Sul, Projeto Além do Algodão, Tanzânia.
O Programa Cisternas nasceu de conhecimentos endógenos, e foi reconhecido como
uma tecnologia social, converteu-se em política pública e passou, posteriormente, por
um processo de internacionalização até ser traduzido como instrumento da política
externa brasileira no âmbito da Cooperação Sul–Sul (CSS). Esta pesquisa defende,
que, em todas essas etapas, seu desenvolvimento esteve ancorado em decisões
políticas e na defesa de interesses, evidenciando que a trajetória do Programa não foi
neutra nem exclusivamente técnica, mas resultante de escolhas estratégicas
realizadas pelo Estado brasileiro em diferentes contextos históricos. O objetivo desta
pesquisa foi analisar, a partir de uma perspectiva do Sul, as conexões de
conhecimentos, saberes e práticas técnicas e institucionais no âmbito da Cooperação
Sul–Sul, a partir do Programa Cisternas, reconstituindo o percurso dessa tecnologia
social, que se consolida como política pública e foi mobilizada para o fortalecimento
institucional do Brasil. Os resultados indicam que o processo de institucionalização e
internacionalização do Programa Cisternas foi profundamente condicionado por
escolhas políticas. A cooperação com a Tanzânia evidenciou que a transferência da
política envolveu não apenas aspectos técnicos, mas também processos de tradução,
adaptação e negociação entre diferentes sistemas de conhecimento, reafirmando o
caráter político da CSS e seu potencial como instrumento de reposicionamento
internacional do Brasil.