Cooperação Internacional, Comunidades Quilombolas e Conservação da Biodiversidade: um estudo de caso sobre o Programa Quilombo das Américas.
Palavras-chave: Cooperação Sul-Sul, Comunidades Quilombolas, Gestão Ambiental Territorial
A pesquisa analisa a cooperação internacional entre Comunidades Quilombolas em uma perspectiva latino-americana, a partir de um estudo de caso do Programa Quilombo das Américas, lançado pelo governo brasileiro em outubro de 2024. O programa visa promover a justiça racial e social, a preservação cultural e a sustentabilidade ambiental, incentivando a articulação e cooperação entre comunidades quilombolas e afrorurais e entre governos nacionais da região. Neste contexto, o trabalho investiga a forma como comunidades quilombolas têm interagido e cooperado em diversos temas da agenda internacional, com destaque para a colaboração relacionada a práticas de gestão ambiental sustentável para mitigação e contenção das mudanças climáticas. A metodologia qualitativa exploratório estudo de caso do Programa Quilombo das Américas, consiste em pesquisa documental, e entrevistas e mapeamento de documentos oficiais e consulta à literatura acadêmica, tendo como referencial a epistemologia do Sul. A cooperação internacional entre comunidades quilombolas na América do Sul é ainda incipiente, mas vem avançando nos últimos anos. As comunidades quilombolas, por passarem séculos em situação de invisibilidade, resistiram à desigualdade social e racial e, à problemática da titulação dos seus territórios. Atualmente, estas comunidades têm sido afetadas pelas mudanças climáticas em curso; por outro lado, há pesquisas que constatam que esses territórios conservam sua biodiversidade, o que leva a crer que há práticas, vivências e saberes de conservação da biodiversidade em territórios quilombolas que possam ser transmitidos a outras comunidades por meio da cooperação internacional, podendo gerar efeitos globais.