Da Terra ao Exílio
autodeterminação em movimento; cosmovisão Guarao.
A tese, intitulada Da Terra ao Exílio, analisa a autodeterminação do povo Guarao em contextos de deslocamento forçado como um processo que ultrapassa a mobilidade geográfica, compreendendo-o como uma reconstrução de mundos em situações de desenraizamento. A partir de uma etnografia dos itinerários vividos e narrados pelo povo Guarao entre o Delta do Orinoco e os espaços urbanos de acolhimento, o estudo organiza-se em três eixos: a partida como ruptura e começo, o deslocamento como processo contínuo e a autodeterminação em movimento. A partida é abordada como um momento liminar no qual o mundo se estreita e a saída se torna inevitável, inaugurando novas trajetórias. O deslocamento é analisado como uma condição prolongada, marcada pela coexistência entre vulnerabilidade e agência, na qual os Guarao desenvolvem estratégias para sustentar a vida em tensão com os dispositivos de assistência. Por fim, a autodeterminação em movimento revela a capacidade de reorganizar o destino, reterritorializar vínculos e recriar formas de habitar, mesmo em cenários adversos. Por meio de múltiplos recursos etnográficos, explicitados em cada capítulo, a tese propõe uma leitura que ultrapassa as abordagens centradas na perda, apresentando o deslocamento como um campo de recomposição e reconstrução social. Desse modo, contribui para repensar os marcos analíticos sobre o deslocamento forçado, situando no centro a agência indígena em trânsito como uma perspectiva capaz de contribuir para a compreensão de outros contextos de deslocamento forçado, tanto de populações humanas quanto de outras formas de vida.