Arco Magmático Goiás, Depósito Pórfiro Cu-Au, Neoproterozoico, Geoquímica de Zircão, Fertilidade Magmática
O Sistema Pórfiro Cobre-Ouro Goiás, localizado na porção norte do Arco Magmático Goiás, representa um raro conjunto de mineralizações do tipo pórfiro associadas ao estágio intra-oceânico do arco, desenvolvido durante o Neoproterozoico. Seu alto potencial metalogenético está diretamente relacionado à fertilidade dos magmas parentais, cuja assinatura geoquímica em elementos-traço reflete os processos que os originaram. Neste estudo, a geoquímica de zircão foi empregada para avaliar a fertilidade de quatro suítes magmáticas da região. Foram aplicados proxies sensíveis à temperatura e à hidratação magmática, juntamente com um novo oxibâmetro baseado na razão Ce/√(Ui × Ti) e o índice de fertilidade em cobre baseado em zircão (ZCFI), recentemente apresentados na literatura para avaliar a fertilidade de sistemas pórfiro. Os zircões das rochas hospedeiras do depósito de Cu–Au de Chapada exibem valores elevados nos indicadores de fertilidade, com médias de ΔFMQ em 0.98 e 0.68, consistentes com magmas oxidados e saturados em fluidos. Essas assinaturas correspondem a valores médios elevados do ZCFI (4.89 e 4.74). Em contraste, a suíte Amarolândia apresenta menor fertilidade, com ZCFI médio de 2.88 e ΔFMQ de 0.12, sugerindo que, embora pertença ao mesmo estágio intra-oceânico das suítes mais férteis, pode não ter alcançado — ou registrado em zircão — as condições ideais para mineralização do tipo pórfiro. Já o metadiorito ediacarano mais jovem exibe as menores médias de ZCFI (2.84) e ΔFMQ (-0.56), refletindo magmas menos oxidados, consistentes com o estágio continental do arco. Adicionalmente, o imageamento por catodoluminescência (CL) revelou padrões distintos entre as suítes estudadas: zircões férteis exibem padrões de zoneamento oscilatório (OZPs) bem definidos, frequentemente contrastando com núcleos homogêneos, enquanto zircões menos férteis mostram OZPs mais fracos ou ausentes. Esses resultados demonstram a eficácia da geoquímica de zircão como ferramenta para investigar a fertilidade em terrenos pré-cambrianos, permitindo restringir o intervalo magmático mais favorável à mineralização e ampliando as possibilidades de exploração em sistemas pórfiro antigos.