A história do manto litosférico da Província Alcalina de Goiás revelada por química mineral e isótopos de gases nobres
Xenólitos mantélicos; Química mineral; Geologia Isotópica; Magmatismo alcalino; Manto litosférico continental
A Província Alcalina de Goiás (PAGO) representa uma das províncias magmáticas mais exóticas e pouco estudadas do Brasil. Neste trabalho, apresentamos dados petrográficos, química mineral e isótopos de gases nobres para uma suíte de xenólitos peridotíticos, consistindo em granada e espinélio-lherzolitos, wehrlitos, harzburgitos com pargasita e flogopita e flogopita-lherzolitos. Os xenólitos, hospedados por olivina-nefelinito na região de Paraúna, evidenciam forte interação fluido-rocha nas bordas de cristais, bem como em bolsões de reação, nos quais são gerados Ti-augita, K-richterita, nefelina, clorita, aluminoceladonita, aspidolita e ilmenita. O caráter fortemente alcalino silicático do metassomatismo se expressa por Ca/Al <5, La/YbN <13 e Ti/Eu = 4.634–6.500, com Sr <85 em clinopiroxênio. Aliado a isso, nota-se o crescimento exponencial de Ti/Al (0,05–0,46) do clinopiroxênio primário para o metassomático. Flogopita apresenta duas populações, na qual as lherzolíticas mostram afinidade com fenocristais de lamproítos (TiO2 = 6,86–7,88 wt.%; Al2O3 = 10,88–11,25 wt.%; Mg# = 0,79–0,80), ao passo que a harzburgítica revela afinidade com MARID e flogopita metassomática proto-kimberlítica de alto-Ti e baixo-Cr (TiO2 = 2,35 wt.%; Cr2O3 = 0,35 wt.%, Al2O3 = 14,86 wt.% e Mg# = 0,86). A granada representa a única ocorrência reportada na PAGO e suas bordas evidenciam fusão incongruente, gerando enriquecimento de Na2O (2,00–3,87 wt.%). As razões isotópicas de gases nobres (He, Ne, Ar, Kr e Xe) são as primeiras para a PAGO e revelam caráter dominantemente subcontinental litosférico, com pequenas contribuições radiogênicas. Assim, combinando dados de elementos traço e isótopos de gases nobres, associados a informações de tomografia sísmica e levantamentos magnetotelúricos, nota-se que o manto sob a PAGO na região de Paraúna se encontra metassomatizado por um fluido ou melt alcalino silicático e situa-se na borda SW do cráton São Francisco. Desta forma, não é observada a atuação de pluma mantélica na modificação do manto por metassomatismo e geração do magmatismo alcalino da província.