Footprint geoquímico da mineralização de ouro na região centro-sul do Complexo Arapiraca, Província Borborema
Mapeamento geoquímico, sedimentos de corrente, solo, mineralização de ouro, análise exploratória de dados, geoquímica, estatística multivariada, dados composicionais.
O mapeamento geoquímico de superfície constitui uma das principais ferramentas da prospecção mineral, ao permitir a identificação de padrões espaciais e de associações geoquímicas relacionadas a processos geológicos e metalogenéticos. No contexto da Província Borborema, o Complexo Arapiraca destaca-se pelo potencial metalogenético, evidenciado pela ocorrência da reserva de Cu–Au de Serrote da Laje, do depósito de Cu-Au Caboclo, bem como pelo depósito aurífero de Pereira Velho. Este último, presente na área de interesse deste trabalho, é fortemente controlado por estruturas regionais como a Zona de Cisalhamento Arapiraca, orientada preferencialmente NW–SE, e falhas dextrais de direção NE-SW. Apesar do avanço recente das atividades exploratórias, a região ainda apresenta características típicas de áreas greenfield, o que demanda abordagens quantitativas e robustas para a geração e priorização de alvos prospectivos de Au. O objetivo deste estudo é identificar e caracterizar o footprint geoquímico de superfície da mineralização de ouro na região centro-sul do Complexo Arapiraca, por meio da integração de dados geoquímicos de sedimentos de corrente (em escala regional) e de solos (em escala de detalhe), associados a técnicas estatísticas uni-, bi- e multivariadas. A metodologia baseia-se na Análise Exploratória de Dados (EDA) sob a perspectiva da Análise de Dados Composicionais (CoDA), considerando a natureza fechada dos dados geoquímicos. Para minimizar efeitos de fechamento e correlações espúrias, os dados foram transformados por razões logarítmicas centradas (CLR) e isométricas (ILR), seguidos da aplicação de Análise Fatorial (AF) para a definição de associações geoquímicas representativas de litotipos, processos hidrotermais e possíveis vetores de mineralização. Os resultados foram integrados por meio de lógica fuzzy e operadores booleanos, permitindo a geração do Índice Geoquímico de Probabilidade de Mineralização (IGPM) e do índice específico para ouro (IGPMAu). Posteriormente, o IGPM foi integrado ao ambiente de Sistema de Informações Geográficas (SIG), permitindo a geração de mapas geoquímicos (Mapas IGPM). Os modelos obtidos evidenciam associações geoquímicas consistentes com o arcabouço geológico regional e local, destacando conjuntos como Cu-Al-Ba-Zn, V–As–Fe–Mo–S–Cr-Au e Au–Mo–S–Sr, interpretados como indicativos de processos hidrotermais associados à mineralização aurífera. Os mapas de IGPM revelam anomalias geoquímicas bem definidas, com controle estrutural e litológico, especialmente ao longo dos quartzitos cisalhados do depósito Pereira Velho, orientados em trend NW–SE. A validação dos modelos com dados independentes de geoquímica de rocha e de testemunhos de sondagem confirma a robustez da abordagem e a coerência dos resultados.