PETROLOGIA, EVOLUÇÃO CRUSTAL E GEOTECTÔNICA DO MAGMATISMO NO SETOR LESTE DA PROVÍNCIA MINERAL
JURUENA-TELES PIRES, SUL DO CRÁTON AMAZÔNICO, E IMPLICAÇÕES NA GÊNESE DAS MINERALIZAÇÕES DE Au (CuAg)
Granito, Magmatismo, Orosiriano, Estateriano,
O estudo do setor leste da Província Mineral Juruena-Teles Pires (PMJTP), localizada no norte do estado de Mato Grosso e inserida no contexto da porção sul do Cráton Amazônico, tem como objetivo principal, a caracterização do magmatismo Orosiriano-Estateriano (2060 e 1750) Ma e suas implicações na gênese de mineralizações de ouro e polimetálicos. Regionalmente, a área localiza-se no limite entre as províncias Tapajós-Parima (2,03-1,88 Ga) e Rondônia-Juruena (1,82-1,54 Ga), compreendendo domínios que evoluíram desde a acreção de arcos magmáticos em margem continental ativa até regimes extensionais pós-orogênicos. Os dados de geologia, petrografia, química e geocronologia da região revelam três eventos magmáticos principais, iniciando-se pelo Evento 1 (Cuiu-Cuiú, 2060-1950 Ma), que abriga a maior parte dos depósitos de ouro e é composto pelos ortognaisses migmatíticos e metagranitoides do Complexo Cuiu-Cuiú, pelas suítes graníticas Pé-Quente e Nhandu, além das rochas vulcânicas da Formação Jarinã. O Evento 2 (Guarantã-Matupá, 1905-1860 Ma) representado pelas suítes Guarantã do Norte e Matupá, enquanto o Evento 3 (Juruena, 1830-1750 Ma) constitui o evento mais expressivo da província, e o principal gerador das mineralizações de ouro (cobre e prata) da província. Contituem um sistema plutono-vulcânico dominantemente félsico que inclui a Supersuíte Juruena, o Grupo Colíder e a Suíte Teles Pires.
A geoquímica de rocha indica que o magmatismo evoluiu de séries cálcio-alcalinas de médio a alto potássio e magnesianas no primeiro evento, com assinaturas típicas de arco de margem continental, para magmas álcali-cálcicos ferrosos, incluindo granitos do tipo-A no terceiro evento, caracterizando ambientes de colocação pós-orogênica. Os dados geocronológicos U-Pb confirmam a cronologia desses estágios, enquanto os estudos de Lu-Hf em zircão fornecem evidências sobre as fontes magmáticas, mostrando que as rochas do Evento 1 tiveram grande contribuição de crosta arqueana na sua gênese, com idades modelo TDM entre 2,4 e 3,3 Ga e valores de ϵHf(t) fortemente negativos (-14,8 e -0,3). Enquanto o Evento 3 revela idades modelo mais jovens (2,1 a 2,8 Ga) e valores de ϵHf(t) que chegam a ser positivos (-7 e 5), o que demonstra uma crescente entrada de material juvenil mantélico e participação de crosta paleoproterozoica durante a evolução da província.