EVOLUÇÃO TERMOTECTÔNICA E CONTROLE ESTRUTURAL DA MINERALIZAÇÃO DE OURO OROGÊNICO NO GREENSTONE BELT PILAR DE GOIÁS
deformação policíclica; retrabalhamento neoproterozoico; modelagem
de equilíbrio de fases; geocronologia U-Pb em granada; geocronologia Rb–Sr in situ.
O greenstone belt Pilar de Goiás, localizado na porção nordeste do Domínio
Crixás-Goiás, hospeda importantes ocorrências de ouro orogênico associadas às rochas
metassedimentares da Formação Serra do Moinho. Apesar da relevância metalogenética
da região, a evolução tectonometamórfica do greenstone belt e o papel relativo dos
eventos Paleoproterozoicos e Neoproterozoicos na deformação, metamorfismo e
mineralização ainda permanecem pouco compreendidos. Para investigar estas questões
termotectônicas, este trabalho integra mapeamento geológico-estrutural, modelagem de
equilíbrio de fases e geocronologia in situ Rb–Sr em mica e U–Pb em granada nas
rochas hospedeiras da mineralização aurífera, nos depósitos Morro do Trator e Três
Buracos. A análise estrutural permitiu reconhecer um arcabouço dominado por sistemas
de empurrão e dobramentos associados à deformação principal paleoproterozoica (D 1 ).
Este evento é caracterizado por dois estágios superpostos que refletem transporte
tectônico para leste. O primeiro estágio, com estruturas de direção N-S que rotacionam
gradualmente para NW-SE em direção ao sul, é marcado por dobras fechadas a
isoclinais, localmente com geometria em bainha. Associada a esse estágio, desenvolve-
se uma foliação penetrativa de baixo a médio ângulo. O segundo estágio é caracterizado
pela superposição por dobras abertas associadas à clivagem de crenulação com direção
aproximadamente N-S. A deformação subsequente neoproterozoica (D 2 ), com estruturas
aproximadamente E-W, corresponde à fase final de deformação registrada no
greenstone belt, de caráter dúctil-rúptil e transporte tectônico de norte para sul. A
mineralização aurífera é controlada por estruturas hierárquicas associadas à Zona de
Cisalhamento Três Buracos, ocorrendo principalmente em veios quartzosos sulfetados
sigmoidais e charneiras de dobras recumbentes associados a D 1 . Modelagens
termodinâmicas indicam uma evolução metamórfica policíclica, registrando um evento
paleoproterozoico em condições de fácies xisto verde, com temperaturas e pressões de
aproximadamente 520-540 ºC e 3,6-4,2 kbar, posteriormente retrabalhado sob condições
de anfibolito inferior no Neoproterozoico, com temperaturas e pressões máximas
estimadas entre 575–600 °C e 7,0–7,8 kbar. As idades U–Pb obtidas em bordas de
granada registram crescimento metamórfico neoproterozoico em 765 ± 26 Ma no
depósito Três Buracos e 605 ± 35 Ma no depósito Morro do Trator, sugerindo
retrabalhamento tectonometamórfico associado à acreção do Arco Magmático Mara
Rosa e, posteriormente, colisão do Orógeno Brasília. As idades Rb–Sr em mica
registram reequilíbrio isotópico relacionado aos estágios tardios da Orogenia Brasiliana
em ca. 464 Ma, possivelmente relacionados ao resfriamento regional do sistema ou a
reativações tectônicas associadas ao Lineamento Transbrasiliano. A preservação local
de vestígios isotópicos paleoproterozoicos nas micas indica que parte da arquitetura
tectonometamórfica permaneceu parcialmente preservada. A superposição de
eventos neoproterozoicos sobre uma arquitetura paleoproterozoica mineralizada
previamente estabelecida fornece novos elementos para a compreensão da evolução
crustal do Maciço de Goiás e do controle estrutural da mineralização aurífera no
Domínio Crixás-Goiás.