Estudo da crosta e do manto sob as regiões cratônicas da Plataforma Sul-americana com técnicas baseadas em ondas de superfície
Tomografia de ondas de superfície; ruído sísmico ambiental; espessura da Moho; limite litosfera-astenosfera; Cráton São Francisco; Cráton Amazônico; Província Mineral de Carajás.
Esta tese investiga a estrutura da crosta e do manto sob regiões cratônicas da Plataforma Sul-Americana por meio de técnicas sismológicas baseadas na dispersão de ondas de superfície. O estudo integra três artigos voltados à caracterização do Cráton São Francisco, da borda oriental do Cráton Amazônico e da Província Mineral de Carajás. Foram utilizadas curvas de dispersão de ondas Rayleigh obtidas a partir de ruído sísmico ambiental e registros de terremotos telessísmicos, permitindo a construção de mapas de velocidades de grupo e de fase, modelos de velocidade de onda S, estimativas de espessura crustal e modelos 1D representativos da estrutura litosférica. No Cráton São Francisco e regiões adjacentes, os resultados permitiram imagear a crosta e a porção superior do manto até 70 km de profundidade, indicando que o Paleocontinente São Francisco possui expressão sísmica além dos limites superficiais do cráton, com continuidade sob províncias adjacentes e bacias sedimentares. A geometria da Moho revela espessamento crustal sob as bacias do Paraná e Parnaíba e sob a Faixa Brasília, além de corredores de crosta relativamente mais fina associados a estruturas regionais. Na Província Mineral de Carajás e áreas vizinhas, os modelos mostram forte compartimentação crustal e litosférica, permitindo diferenciar os domínios Carajás e Rio Maria, caracterizar a transição com a Faixa Araguaia e reconhecer variações laterais relacionadas à evolução tectônica da borda oriental do Cráton Amazônico. Para essa região, a investigação foi estendida ao manto litosférico mais profundo, permitindo estimar o limite litosfera-astenosfera. Os resultados indicam litosfera mais espessa sob o Domínio Rio Maria, seguida pelo Domínio Carajás, enquanto a Faixa Araguaia e o Domínio Amazônia Central apresentam espessuras menores. A comparação entre estrutura crustal, espessura litosférica e distribuição de depósitos minerais sugere que a mineralização em Carajás está associada a zonas de transição, segmentação e modificação da raiz cratônica, e não a um único contexto geofísico isolado. Em conjunto, os resultados mostram que as regiões cratônicas investigadas apresentam arquiteturas profundas distintas, com diferentes níveis de preservação, retrabalhamento e heterogeneidade. Na região do Cráton São Francisco, o imageamento até 70 km de profundidade permitiu reconhecer a continuidade crustal e do manto superior mais raso associada ao Paleocontinente São Francisco, além de sua relação com províncias adjacentes e bacias sedimentares. Na Província Mineral de Carajás e áreas vizinhas, os modelos revelam uma raiz litosférica espessa, porém lateralmente variável, com contrastes importantes entre os domínios Rio Maria, Carajás, Amazônia Central e Faixa Araguaia. Dessa forma, a tese demonstra que a estrutura profunda dos crátons estudados não é homogênea, mas registra diferentes estágios de preservação cratônica, modificação tectônica e herança estrutural na Plataforma Sul-Americana.