Arquitetura de falha e mecanismos de deformação na Falha de Vazante
Arquitetura de falha; Microtexturas; Falha de Vazante; Mecanismos de deformação; Faixa de Dobramentos Brasília
Este estudo investiga a Falha de Vazante, inserida na Faixa de Dobramentos Brasília (Neoproterozoico), para compreender como a reativação estrutural progressiva controla a arquitetura de zonas de falha e a evolução da permeabilidade. A pesquisa integra o mapeamento estrutural de galeria subterrânea na Mina de Vazante com a análise microestrutural de um testemunho de sondagem de 233 metros de profundidade, abrangendo a sucessão pelito-carbonática dos membros Pamplona Inferior e Morro do Pinheiro Superior, do Grupo Vazante. Os resultados demonstram que a arquitetura da falha exibe uma forte assimetria estrutural governada por partição reológica. No teto (hanging wall), domínios distais preservam feições diagenéticas de soterramento e estruturas extensionais pretéritas. Em direção ao núcleo da falha, essas estruturas são sobrepostas por uma zona de dano rúptil, onde o incremento do cisalhamento promove a cominuição progressiva dos dolomitos, transitando de brechas de fraturamento para cataclasitos suportados por matriz. Em contrapartida, a lapa (footwall) apresenta deformação dúctil e milonitização estritamente localizadas em horizontes pelíticos e margosos mecanicamente incompetentes. A deformação transcorrente principal localiza-se ao longo de um núcleo de falha discreto, caracterizado pela mineralização de willemita e hematita maciça. A ocorrência de brechas cockade e veios hidrotermais intercruzados na zona de dano registra rupturas cossísmicas episódicas, que acomodaram rápida dilatância, despressurização de fluidos e fraturamento hidráulico. O registro microtextural indica uma cinemática polifásica complexa: extensão inicial da bacia, cisalhamento dúctil contracional durante a inversão tectônica e, por fim, uma sobreposição direcional transcorrente. Este estágio transcorrente tardio gerou a rede de fraturas ativas responsável por canalizar os fluidos metalíferos de alta temperatura (>250 ºC). Conclui-se que a reologia do protólito e a proximidade com o núcleo da falha governam o desenvolvimento microtextural, evidenciando como anisotropias estruturais são mecanicamente sobrepostas e seladas por hidrotermalismo ao longo de múltiplos ciclos sísmicos.