Dinâmica temporal das áreas alagadas no trecho do Rio Paraguai (Pantanal) a partir de séries Landsat e sua relação com variáveis meteorológicas
Áreas inundadas, Sensoriamento Remoto, Pantanal, Rio Paraguai, variáveis meteorológicas.
O Pantanal é caracterizado por um regime hidrológico pulsante, elevada heterogeneidade espacial e forte variabilidade interanual, o que torna desafiador o monitoramento consistente das áreas alagadas ao longo do tempo. A presença de vegetação aquática, zonas de transição terra/água, alta turbidez e frequente cobertura de nuvens na estação chuvosa dificulta a delimitação automática de superfícies inundadas a partir de imagens ópticas. Nesse contexto, esta dissertação analisa a dinâmica espaço-temporal das áreas alagadas no trecho do Rio Paraguai, no Pantanal, com base em séries históricas de imagens Landsat entre 1986 e 2024, e avalia sua relação estatística com variáveis meteorológicas (precipitação, temperatura e evapotranspiração). Como etapa preliminar, a estratégia metodológica de processamento em nuvem e extração de áreas alagadas por meio de índices espectrais foi validada em um sistema lacustre andino (Lago Chungará, Chile), no contexto do artigo publicado que compõe esta dissertação, demonstrando a viabilidade do uso do NDWI para extração de superfícies de água. Com base nessa validação, foram testados e comparados, no Pantanal, os índices NDWI e MNDWI associados a técnicas automáticas de limiarização, com ênfase no método de Otsu. A avaliação por matrizes de confusão indicou desempenho superior do NDWI, que apresentou acurácia global de 90%, sendo selecionado para a geração da série temporal consolidada de áreas alagadas. Os resultados evidenciam uma redução expressiva da área alagada média anual, da ordem de aproximadamente 60% ao longo do período analisado. A análise estatística revelou que a precipitação apresenta associação fraca quando considerada sem defasagem temporal, mas correlações significativas emergem quando se introduz defasagem de um ano e médias móveis, indicando a presença de memória hidrológica no sistema. Em contraste, a temperatura mostrou associação negativa moderadamente forte e estatisticamente significativa com a área alagada, enquanto a evapotranspiração apresentou associação positiva significativa, refletindo seu papel como resposta à disponibilidade hídrica superficial. Os resultados por Componentes Principais reforçam a tese de que a precipitação e a evapotranspiração possuem relação positiva com a variação de área alagada, esta que se distância na PC2, reflexo da defasagem temporal constatada.