Agropecuária no Cerrado tocantinense: Dinâmica espaço-temporal e potencialidade de expansão
uso e cobertura de terras; pastagens degradadas; expansão agrícola; Tocantins.
A expansão da agropecuária no Cerrado brasileiro, impulsionada pela demanda global por commodities, impõe o desafio de conciliar o aumento da produção de alimentos com a conservação ambiental. Nesse contexto, o estado do Tocantins configura-se como a última grande fronteira agrícola do país. O objetivo desta pesquisa foi analisar a dinâmica espaço-temporal de uso e cobertura da terra no Cerrado tocantinense entre 2000 e 2023 e identificar áreas com potencial para a expansão agrícola sobre pastagens degradadas, visando subsidiar a intensificação sustentável. A metodologia fundamentou-se no processamento de dados anuais de uso e cobertura das terras da Coleção 9 do Projeto MapBiomas para análise das matrizes de transição por meio da vetorização e segmentação regional em ambiente de sistema de informações geográficas (SIG). Para a modelagem do potencial de expansão agrícola em áreas de pastagens degradadas, adotou-se uma abordagem de análise vetorial baseada na intersecção espacial, cruzando os dados de pastagens degradadas produzidos pela Universidade Federal de Goiás (UFG) com as classes A1 (muito boa) e A2 (boa) de potencial aptidão agrícola natural da terra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e subtraindo as restrições legais e ambientais (terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos rurais e áreas militares). Os resultados indicaram um padrão dual de ocupação: dentre as três macrorregiões do estado (Norte, Central e Sul), a Macrorregião Norte apresentou uma fronteira de expansão ativa com altas taxas de desmatamento, enquanto a Macrorregião Sul apresentou uma intensificação consolidada, onde a conversão de pastagens para agricultura superou a abertura de novas áreas naturais. Foi identificado um potencial líquido de 806.868 hectares de áreas antropizadas aptas para expansão agrícola em pastagens degradadas em toda a área de estudo. Desse total, 616.149 hectares referem-se a pastagens localizadas em zonas de alta aptidão natural isentas de restrições (classe A1). A distribuição espacial desse estoque é heterogênea, concentrando-se estrategicamente nos municípios de Araguaçu, Peixe e Talismã, que detêm cerca de 50% das áreas aptas identificadas. Conclui-se que o estado de Tocantins dispõe de um vasto estoque de terras suficiente para absorver a expansão da soja sem a necessidade de novos desmatamentos, devendo as políticas públicas, como o Plano ABC+, priorizar o crédito e a tecnologia para esses territórios-chave.