Monitoramento da dinâmica de uso e cobertura da terra no ecótono Cerrado-Amazônia por integração de dados de radar de abertura sintética das bandas C e L, município de Colniza-MT
transição savana-floresta; segmentação semântica; validação cruzada espacial; harmonização radiométrica; processamento em nuvem
Este projeto de tese propõe metodologia integrada e replicável para o monitoramento do uso e da cobertura da terra na zona de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia, adotando como área de processamento o município de Colniza, extremo noroeste de Mato Grosso. O problema investigado é a baixa separabilidade entre classes temáticas em zonas de transição estruturalmente heterogêneas, agravada pela persistência de nuvens na estação chuvosa, que restringe o uso de sensores ópticos. A pesquisa organiza-se em duas etapas. A primeira,
concluída e consolidada em manuscrito submetido a periódico revisado por pares, avaliou a combinação de radar de abertura sintética de banda C (Sentinel-1) e de banda L (mosaico anual ALOS-2/PALSAR-2), classificados por Random Forest em plataforma de processamento em nuvem. A validação independente por fotointerpretação em mosaico PlanetScope (n = 729 pontos) indicou acurácia global de 76,91% (± 2,63) para a combinação das duas bandas, superior ao Sentinel-1 isolado (68,01%; teste de McNemar, p ≈ 1×10⁻⁶), porém estatisticamente equivalente ao ALOS-2/PALSAR-2 isolado (71,09%; p = 0,58), o que atribui à banda L a maior parte da informação estrutural relevante à discriminação florestal. A análise geoestatística revelou autocorrelação espacial positiva e significativa (I de Moran = 0,4267; p < 0,001) e alcance de aproximadamente 22 km no variograma do índice de degradação florestal por radar. A análise bibliométrica de 675 registros recuperados na Web of Science e na Scopus demonstrou que apenas 2,2% dos registros da Scopus mencionam Brasil, Amazônia ou Cerrado e que nenhum combina explicitamente radar de bandas L e C, evidência quantitativa da lacuna que a pesquisa ocupa. A segunda etapa, em desenvolvimento, adota o produto ALOS-2 PALSAR-2 ScanSAR de Nível 2.2, com correção radiométrica de terreno por cena e conformidade com a especificação CEOS Analysis Ready Data, harmonizado em convenção γ⁰ com o Sentinel-1 corrigido para declividade. Sobre esse conjunto, arquitetura de segmentação semântica do tipo U-Net será treinada e comparada ao Random Forest, sob validação por blocos espaciais dimensionados pelo variograma e com referências independentes de LiDAR orbital, do TerraClass e de fotointerpretação por múltiplos intérpretes. A pesquisa organiza-se em torno de quatro hipóteses, duas por etapa, todas com critérios de decisão estatísticos fixados previamente à execução. As duas hipóteses da segunda etapa dirigem-se ao ganho da segmentação semântica sobre a classificação pixel a pixel, verificado também sob validação espacialmente informada, e à utilidade operacional do mapeamento na faixa de área entre aproximadamente 0,5 e 6,25 hectares, avaliada contra a máscara de polígonos entre 1 e 6,25 hectares mantida pelo PRODES. Toda a cadeia é executável em ambiente de nuvem, sem processamento local nem programas proprietários, o que torna o protocolo replicável e permite a publicação integral dos scripts como material suplementar.