Sofrimento subjetivo de docentes na rede pública de ensino do Distrito Federal: um estudo de caso
Docentes; Educação; Sofrimento; Subjetividade; Precariedade
Este trabalho nasce de inquietações diante do expressivo crescimento do número de docentes que enfrentam quadros de sofrimento subjetivo no Brasil. A forma como essa problemática vem sendo abordada revela-se limitada, observa-se um aumento significativo de diagnósticos relacionados a diferentes transtornos, bem como a solicitação de afastamentos por parte de profissionais da educação. Nota-se uma tendência, sustentada por discursos hegemônicos, de compreender o sofrimento docente a partir de explicações simplificadas, marcadas por uma perspectiva medicalizante, patologizante e individualista. Diante o exposto, este estudo tem como objetivo compreender as configurações subjetivas, individuais quanto sociais, envolvidas nos processos de sofrimento subjetivo vivenciados por docentes de uma escola pública da rede básica de ensino do Distrito Federal. Busca-se, contribuir para a formulação de práticas educativas voltadas ao desenvolvimento subjetivo de professores em situação de sofrimento, propondo alternativas às abordagens centradas na patologização e na individualização do sofrimento. Para a realização da pesquisa, adota-se o arcabouço teórico da subjetividade em uma perspectiva cultural-histórica, conforme proposto por González Rey. A partir das articulações entre educação, saúde e sofrimento docente, problematiza-se a contextualização do papel do professor no exercício profissional, a tecnicização do ensino e a precariedade simbólica à qual esse professor está submetido. Por fim, o trabalho se fundamenta na epistemologia qualitativa, articulada à Metodologia Construtivo-Interpretativa, por meio da realização de um estudo de caso aprofundado com um(a) docente que apresente sinais de sofrimento subjetivo. O objetivo do estudo de caso é a construção de um modelo teórico que contemple os objetivos delineados nesta pesquisa.