AS IDEOLOGIAS NA EDUCAÇÃO EM MOÇAMBIQUE: REFLEXÕES SOBRE A “DESIDEOLOGIZAÇÃO” A PARTIR DA PEDAGOGIA CRÍTICA
Ideologia; desideologização; educação em Moçambique; pedagogia crítica
O presente projeto tem como objetivo analisar a materialidade da “desideologização” da educação em Moçambique, entendida como instrumento de emancipação, autonomia e liberdade, a partir da pedagogia crítica. A pesquisa parte do seguinte problema de pesquisa: Como a pedagogia crítica pode contribuir para desideologizar a educação em Moçambique, reduzindo a interferência ideológica no sistema educacional e ampliando a participação livre e autônoma de todos os atores sociais? A abordagem metodológica desta pesquisa estrutura-se a partir de uma abordagem qualitativa, orientada pelo método do Materialismo Histórico-Dialético (MHD), articulado à Análise de Discurso Crítica (ADC). A fundamentação teórica assenta-se nos conceitos de: ideologia, desideologização, educação, educação em Moçambique e pedagogia crítica. Os resultados provisórios, correspondentes ao estado do conhecimento, indicam que a educação em Moçambique sempre esteve fortemente marcada por ideologias que moldaram currículos, práticas docentes e políticas educacionais em cada período histórico. No tempo colonial, a escola funcionava como instrumento de dominação e exclusão; na luta pela libertação, como mecanismo de mobilização política; no pós-independência, como meio de construção da identidade nacional; no multipartidarismo, como espaço de disputas hegemônicas; e no presente, como campo tensionado por globalização, políticas neoliberais e demandas de inclusão. A literatura consultada mostra que a pedagogia crítica se apresenta como caminho para reduzir a captura ideológica da educação, promovendo participação livre e autônoma de todos os atores sociais. Estudos anteriores evidenciam a ausência de uma reflexão sistemática sobre “desideologização” em Moçambique, apontando a relevância e originalidade da presente investigação. Com base nesses pressupostos, espera-se que o estudo contribua para ampliar o debate acadêmico e político em torno de uma educação mais democrática e inclusiva, oferecendo subsídios para práticas pedagógicas e políticas públicas que valorizem a autonomia e ampla participação dos atores sociais na educação.