Entre prazos e adiamentos: uma leitura psicanalítica do sofrimento discente na pós-graduação
psicanálise; pós-graduação; sofrimento discente; temporalidade
Esta proposta de pesquisa tem por objetivo analisar o sofrimento psíquico de estudantes de pós-graduação stricto sensu, a partir da psicanálise de orientação Freud-lacaniana, considerando os impasses e adiamentos que atravessam o percurso acadêmico. Parte-se da compreensão de que as exigências de produtividade e as formas contemporâneas de organização da universidade incidem sobre a experiência formativa dos discentes, produzindo efeitos subjetivos que se manifestam no cotidiano da pós-graduação. A investigação busca compreender de que modo as demandas institucionais, os prazos acadêmicos e as condições de desenvolvimento da pesquisa se articulam à singularidade dos sujeitos, especialmente no que se refere à tensão entre o tempo cronológico instituído e o tempo lógico implicado nos processos de elaboração e produção de conhecimento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de orientação psicanalítica, a ser desenvolvida no Programa de PósGraduação em Educação (PPGE) da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa de campo será realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com estudantes regularmente matriculados nos cursos de mestrado acadêmico e doutorado acadêmico do referido programa. As entrevistas serão gravadas em áudio e posteriormente transcritas, com vistas à análise do material empírico. A análise dos dados será conduzida por meio da análise de conteúdo, organizada em eixos temáticos, em diálogo com os referenciais da psicanálise freudiana e lacaniana. O estudo propõe-se a analisar o sofrimento vivenciado por estudantes de pósgraduação em articulação com as formas contemporâneas de organização do trabalho acadêmico e com as exigências institucionais próprias da formação stricto sensu. A investigação insere-se no debate sobre saúde mental no ensino superior, buscando oferecer subsídios analíticos que considerem a dimensão subjetiva dos processos formativos, sem reduzir o sofrimento a explicações exclusivamente individuais.