Trajetórias de educadoras negras na educação de jovens e adultos em Montes Claros
Educação de Jovens e Adultos. Gênero. Relações Étnico-Raciais. Mulheres Negras. Montes Claros
Esta pesquisa analisa as trajetórias, identidades e resistências de educadoras negras na Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Montes Claros (MG), no período de 2000 a 2025. O recorte temporal corresponde à atuação docente das interlocutoras Marivalda Vieira Silva, Emariângela Pereira da Conceição Souza e Ana Lúcia Nunes Barques, cujo espaço de vida e trabalho também delimita o campo da pesquisa. O estudo articula referenciais teóricos e metodológicos no campo da Educação, com destaque para a História Oral, visando construir uma narrativa centrada nas experiências dessas mulheres. A EJA configura-se como modalidade destinada a sujeitos que não tiveram acesso à escolarização na idade regular, promovendo uma formação inclusiva e emancipatória. Nesse contexto, mulheres negras enfrentam desafios históricos relacionados ao acesso, permanência e ascensão no espaço educacional. Tornar-se professora, nesse cenário, representa a superação de barreiras estruturais de gênero, raça e classe. A pesquisa busca compreender como essas educadoras construíram suas trajetórias profissionais, enfrentando o racismo e a discriminação, bem como os papéis sociais que lhes foram atribuídos. Os procedimentos metodológicos incluem entrevistas, documentos pessoais e institucionais, legislações e registros visuais. Os resultados evidenciam percursos marcados por desigualdades, mas também por estratégias de resistência, redes de apoio e compromisso com a educação como prática transformadora. Suas experiências revelam práticas pedagógicas pautadas no acolhimento e na defesa do direito à educação. Conclui-se que a identidade dessas educadoras está profundamente ligada à prática docente, conferindo-lhe caráter político e ético, e reafirmando a EJA como espaço fundamental de enfrentamento das desigualdades educacionais.