Vivências das crianças autistas nos espaços familiares, escolares e não escolares na cidade de Montes Claros/ MG
Crianças autistas e vivências; Teoria HistóricoCultural e subjetividade; Espaços familiares e escolares e não escolares; Direito à cidade.
Esta pesquisa investiga e analisa, por meio de estudos de caso, as vivências de crianças autistas nos espaços familiares, escolares e não escolares em Montes Claros/MG. Justifica-se pela identificação de lacunas no estado do conhecimento quanto à visibilidade dos direitos, linguagens e territórios ocupados por esses sujeitos. Outrossim, busca uma consciência crítica diante de um cenário educacional marcado por retrocessos, pelo peso dos laudos médicos e pela medicalização, que frequentemente negligenciam o campo social e cultural do cotidiano infantil. A articulação entre infância, autismo, família e cidade permite uma discussão ética e política sobre os contextos subjetivos na Educação. A fundamentação teórica ancora-se na Teoria Histórico-Cultural de Vigotski, em interlocução com a Sociologia e Geografia da Infância (Sarmento, Lopes, Lefebvre, Santos). De natureza qualitativa, a metodologia envolveu observação participante, oficinas de desenhos e entrevistas com quatro crianças autistas e seus familiares em escolas municipais e no Parque Milton Prates. A análise seguiu o paradigma indiciário e a microhistória, permitindo perscrutar os processos de desenvolvimento e as narrativas familiares. Os resultados estruturam-se em três categorias: relações familiares; espaços escolares e não escolares na cidade de Montes Claros/MG; e subjetividades e vivências. Evidenciou-se que o desenvolvimento autista é uma formação psíquica e social mediada culturalmente. Os apontamentos revelam uma hiper-responsabilização familiar devido à carência de políticas intersetoriais e um isolamento causado pela dependência do diagnóstico clínico e pela falta de acesso ao lazer urbano. Conclui-se que a inclusão exige superar o modelo médico-centrado, garantindo políticas que legitimem o direito da criança autista de ocupar espaços comuns em uma corresponsabilidade ética entre Estado, Escola e Sociedade.